Análise de DNA revela um misterioso primo do ser humano com grandes dentes

Por ND, 15 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de Michael Greshko (2/03/17) para http://www.nationalgeographic.fr/

O segundo dente de siso de homem de Denisova descoberto

Click!A caverna de Denisova é conhecida ja desde muito tempo como o mais importante sítio arqueológico do Altai. 20 camadas estratigráfica diferentes com vestígios arqueológicos foram escavados, a camada mais antiga é velha 300.000 anos.

No verão de 2008, pesquisadores russos lá tinham desenterrado um fragmento de um dedo de um hominídeo. A equipe o preservou cuidadosamente para futuras investigações, assumindo que era um osso de um dos Neandertais que deixou um monte de ferramentas na caverna há entre 30.000 e 48.000 anos.

No entanto, quando pesquisadores alemães extraíram e sequenciaram o DNA, eles descobriram que ele não coincide com o DNA dos Neandertais ou do homem moderno.

O hominídeo de Denisova é de fato uma espécie de hominídeos extintos identificada por análise genética em março de 2010. Ela pertence ao gênero Homo, mas não recebeu nome específico. Os cientistas acreditam que esta espécie viveu entre 1 milhão e 40.000 anos BP, na Ásia Oriental, em regiões povoadas por Neandertais e humanos modernos.

Os dados disponíveis para mtDNA sugerem que este novo hominídeo tem um ancestral comum com os humanos anatomicamente modernos e com os Neandertais, que dataria de cerca de 1 milhão de anos. Seus antepassados ​​chegariam da África por um caminho diferente daquele dos ancestrais dos Neandertais e dos humanos modernos e eles pertenceriam a uma espécie separada.

Em 2010, os pesquisadores descobriram uma segunda dente de um homem de Denisova, enterrada profundamente no fundo da caverna, que pertencia a uma mulher que viveu há mais de 50 000 anos, trazendo uma nova e importante evidência genética da existência da espécie dos hominídeos de Denisova, confirmando provavelmente a primeira indicação de que umas das características dos homens de Denisova era ter grandes dentes. Um novo artigo permite rever o assunto.

A descoberta reforça a ideia que nossos ancestrais Homo sapiens dividiram o continente eurasiano com outros povos humanóides. Os humanos modernos viveram por centenas de milhares de anos ao lado dos Neandertais, uma outra espécie de hominídeos que se extinguiu há cerca de 40.000 anos. Parece que o homem de Denisova também teria sido no jogo. Este novo estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, é um avanço importante na compreensão do lugar dos homens de Denisova na árvore genealógica humana.

Em 2010, várias equipes de geneticistas e antropólogos, lideradas por Svante Pääpo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, anunciaram a descoberta de estranhas sequências de DNA a partir de uma falange e de um molar encontrados em um local distante dentro da caverna de Denisova nas montanhas do Altai, na Sibéria. "É um lugar incrível", diz Pääbo, "porque este é realmente o único lugar do mundo onde sabemos que três grupos de humanos diferentes e com uma história muito diferente coexistiram."

A análise do DNA da falange e da dente destacou as influências dos homens de Denisova sobre os seres humanos modernos, contribuindo com cerca de 5% do genoma dos Melanésios modernos, que vivem em Papua Nova Guiné e em outras regiões do Pacífico. Mas os pesquisadores não sabiam ainda quase nada sobre esses hominídeos fora das suas existências hominídeos e da sombra genética que eles deixaram sobre nosso presente. Quem eram os homens de Denisova? Quanto tempo eles viveram nas montanhas do Altai?

Felizmente, a caverna de Denisova tinha outras palavras a dizer sobre isso. Em 2010, os pesquisadores descobriram um segundo dente do siso, enterrado no fundo da caverna. É Bence Viola, um antropólogo da Universidade de Toronto, que liderou a análise dental. Ele já tinha examinado o primeiro dente do siso de Homem de Denisova, achando que era a dente de um urso das cavernas por causa de seu tamanho e das suas grandes raízes distantes.

Viola percebeu que os dois dentes concordavam e que eles eram diferentes dos dentes dos humanos modernos e dos Neandertais, provavelmente a primeira indicação de que umas das características dos homens de Denisova era ter grandes dentes. Se é difícil imaginar a o que parecia ser um homem de Denisova com grandes dentes (os dentes do siso são afinal conhecidos pela grande variedade de suas formas), há pouca dúvida de que um "grande dente com enormes raízes certamente significava uma enorme mandíbula ", disse Viola.

Não foi fácil encontrar um pedaço limpo de DNA de homem de Denisova. Sawyer e Pääbo tinham que identificar e excluir a contaminação por seres humanos modernos, as bactérias antigas e modernas, bem como as hienas antigas que aparentemente ocuparam por muito tempo a caverna. Uma vez o DNA mitocondrial do novo dente recuperado, Sawyer foi capaz de confirmar que era realmente de tipo Denisova. Este DNA também permitiu a Sawyer a reconstruir o genoma mitocondrial do antepassado comum dos três indivíduos que foram encontrados na caverna.

"O mundo naquela época devia ser muito mais complexo do que se pensava anteriormente", disse Sawyer. "Quem sabe que outros hominídeos ainda existiram, e o efeito que eles tiveram sobre nós? "

Mas quais eram as suas aparencias ? Primeiro, os pesquisadores não conhecem a idade dos fragmentos dos homens de Denisova, exceto que eles têm mais de 50.000 anos, o que é o resultado confiável mais antigo que pode ser encontrado com datação por radiocarbono. Quanto à localização na árvore genealógica humana, o novo estudo sugere que os homens de Denisova talvez não são tão proximos dos Neandertais como foi indicado nas pesquisas anteriores.

O fato de não conhecer a aparência, os movimentos e o comportamento dos homens de Denisova não ajuda os cientistas, enquanto "paradoxalmente, sabemos muito sobre eles a partir de um ponto de vista genético", de acordo com Martinón María Torres, um antropólogo da Universiy College de London, que não estava envolvido no estudo. Felizmente, poderia haver outros homens de Denisova escondidos em toda a Ásia, ou erroneamente identificados em museus como seres humanos ou Homo erectus, um ancestral hominídeo. Os autores do estudo indicam particularmente recentes descobertas no sul da China, onde os antropólogos encontraram dentes humanos mais velhos, de 80.000 a 120.000 anos, que possuem características modernas e antigas, como os dentes dos homens de Denisova. "Isso não me surpreenderia que alguns desses dentes são de tipo Denisova", disse Martinón-Torres, que analisou os dentes chinesas.

"É muito surreal", disse Sawyer. "Às vezes, quando estou no laboratorio, não posso deixar de pensar o qual incrível é estar na posse de um dos únicos restos conhecidos até hoje de um novo grupo de hominídeo misterioso. "

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