As primeiras casas permanentes remontam à 15.000 anos atras

Por ND, 15 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de L'Obs (27/03/17) para https://www.nouvelobs.com/

As primeiras casas permanentes remontam à 15 mil anos atras

Click!Os camundongos cinzentos começaram a viver nas habitações dos caçadores-coletores no vale do Jordão ha cerca de 15 mil anos atrás.

Quando esses seres humanos começaram a se instalar em moradias em vez de serem nómadas, os ratos de casa gradualmente se tornaram mais numerosos do que os seus homólogos selvagens, segundo o estudo publicado nos Procedimentos da Academia Americana de Ciências (PNAS).

"Este estudo fornece a primeira evidência de que, há pelo menos 15.000 anos atrás, os seres humanos já estavam vivendo no mesmo lugar o suficiente para ter um impacto sobre a vida selvagem local, o que resultou com a presença dominante de camundongos cinzentos", diz Fiona Marshall, professor de antropologia da Universidade de Washington em St Louis, Missouri, principal co-autora.

Até agora, estima-se que o aumento do gado e das culturas, há 12 mil anos, correspondia ao momento em que os seres humanos começaram a se estabelecer, provocando uma transformação nas relações entre os humanos e o mundo animal, especialmente com os pequenos mamíferos, como ratos.

"A ocupação permanente desses assentamentos humanos teve impactos generalizados sobre os sistemas ecológicos locais, a domesticação animal e as sociedades humanas", afirmou o cientista. Ao se estabelecerem em abrigos, que ofereceram um abrigo e um acesso sustentável a alimentos para pequenos animais, essas tribos abriram caminho para o comensalismo, uma primeira etapa de domesticação durante a qual as espécies animais aprendem a tirar proveito de suas interações com os humanos, explicam esses pesquisadores.

Segundo eles, esta descoberta tem implicações de longo alcance sobre os processos que levam à domesticação animal, cujo o primeiro exemplo é o cão. A domesticação do gato seguiu com o início da agricultura, esses gatos protegendo as reservas de grãos contra os ratos.

Os pesquisadores também conseguiram ver que as populações de camundongos cinzentos aumentaram acentuadamente em comparação com as suas primas que viviam na natureza quando os grupos humanos permaneciam mais tempo no mesmo local, permitindo-lhes tempo para se beneficiarem plenamente da abundância de alimentos que favorecia uma maior reprodução. Mas durante períodos de seca ou escassez de alimentos que forçava os caçadores-coletores a se mover com mais freqüência, as populações de ratos de casa e de campo se equilibravam.

O mesmo fenômeno é observado hoje com as duas espécies de camundongos que vivem entre ou perto das tribos Maasai, cuja mobilidade é semelhante à das populações antigas do Vale do Jordão. Isso mostra o grau de sensibilidade dos ambientes locais à mobilidade dos grupos humanos, bem como a complexidade do impacto dos seres humanos nos ecossistemas, que remonta a muito tempo na pré-história.

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