Há 4000 anos, nas aldeias alemãs do Vale Lechtal, as mulheres eram predominantemente de outra região

Por ND, 13 de janeiro de 2018, referindo-se ao artigo de C.R. (14/09/17) para http://www.hominides.com/
bem como ao artigo de Anne-Charlotte Dancourt (13/09/17) para http://www.leparisien.fr/

Há 4000 anos, as mulheres deixavam sua aldeia nativa para fundar uma família em outra colônia: partida voluntária ou não?

Há 4000 anos, as mulheres deixavam sua aldeia nativa para fundar uma família em outra colônia: partida voluntária ou não? / Foto: Stadtarchäologie Augsburg

Os estudos DNA e isotópicos de esqueletos pré-históricos podem traçar uma parte do estilo de vida e da cultura das populações antigas.

As análises isotópicas (osso e dentição) possibilitam, nomeadamente, comparar o local de enterro com a região de nascimento e de infância de um indivíduo.

O novo estudo envolveu vários laboratórios na Alemanha, incluindo o Instituto Max Planck (Tuebigen), o Instituto de Arqueologia Pré e Proto-Histórica (Munique), o Curt-Engelhorn-Centre Archaeometry (Mannheim)... Os pesquisadores trabalharam sobre os restos fósseis de 84 indivíduos que viveram perto da cidade de Augsburgo (Alemanha), enterrados entre 4.500 e 3.500 anos BP em sepulturas individuais ou coletivas.

Esses "cemitérios" pertenciam a pequenos assentamentos no meio do Vale de Lech.

O estudo arqueológico das sepulturas da Idade do Bronze mostra, em primeiro lugar, que as mulheres não se beneficiavam de um tratamento especial durante o enterro: as sepulturas das mulheres não diferem daquelas dos homens ou crianças.

Por outro lado, os pesquisadores conseguiram identificar que as mulheres pertenciam geneticamente a linhagens diferentes daquelas dos homens.

As análises isotópicas (nos molares das falecidas) revelaram que a maioria das mulheres não nasceram na área onde elas foram enterradas, mas vinham de muito mais longe. Elas passaram a sua infância na Boêmia ou em outra região do centro da Alemanha.

Enterros idênticos, linhagens genéticas diferentes e uma infância em uma outra região indicam aos pesquisadores que essas mulheres "estrangeiras" não só foram bem aceitadas, mas também muito bem integradas pela comunidade local...

Do ponto de vista arqueológico e etnográfico, os pesquisadores defendem uma exogamia cultural onde as mulheres deixam a sua região de origem para fundar uma família em outra região. Por essa mobilidade natural, as mulheres, portanto, conseguiram desempenhar um papel muito importante na transmissão de conhecimento e culturas e seriam os vetores do desenvolvimento das novas tecnologias, principalmente a arte da cerâmica que elas dominavam muito bem, mas também evitariam desse jeito problemas de consanguinidade. Os homens, por outro lado, geralmente ficavam na sua área de nascimento. Os pesquisadores falam de intercâmbios intercomunitários com uma "tradição" de exogamia feminina.

No entanto, parece muito difícil saber se esta exogamia era cultural, escolhida ou forçada!

Sua origem "tradicional" poderia, contudo, ir muito além da Idade do Bronze. Na verdade, outros estudos já afirmaram essa mobilidade das mulheres por períodos bem anteriores a Idade do Bronze.

Para tomar apenas um exemplo, de fato muito antigo, deixe-nos simplesmente notar que em 2010, o estudo mtDNA de um grupo de 12 neandertais de 49 000 anos no sitio de El Sidron (Espanha) mostrou que os 3 homens adultos eram todos relacionados, mas que 2 das 3 mulheres neandertais eram de origens diferentes. Os pesquisadores concluem que os dados sugerem a existência de um grupo social composto por homens da mesma família, com as suas respectivas esposas - "recuperadas" ou trocadas com outros clãs...

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