O canibalismo não alimenta muito o seu homem

Por ND, 15 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de Lise Loumé (7/04/17) para https://www.sciencesetavenir.fr/
bem como ao artigo de Nathalie Mayer (3/01/17) para https://www.futura-sciences.com/
e ao artigo de Rachel Mulot (10/07/16) para https://www.sciencesetavenir.fr/

Os arqueólogos têm várias pistas para detectar a antropofagia a partir do estudo dos ossos, como a ausência da base craniana (para extrair o cérebro). Também os ossos de Neandertal da caverna de Goyet trazem marcas de cortes similares aos infligidos à carne de caça.

Click!Agora adquirimos provas irrefutáveis de que o homem de Neandertal, na Europa, praticava o canibalismo.

Casos de canibalismo já foram registrados do lado dos homens de Neandertal que viviam no sul da Europa, na Espanha ou na França. Mas esta é a primeira vez que evidências de tais práticas foram avançadas em relação às populações do norte da Europa.

De acordo com os antropólogos, os ossos humanos - os de um recém-nascido, de uma criança e de quatro adultos - apresentavam vestígios de recortes idênticos aos encontrados nos ossos de cavalo ou de renas. Esses recortes foram destinados a arancar a carne e extrair a medula.

Como Neandertal tratava seus mortos? Esta questão fascina os pesquisadores porque ilumina as habilidades simbólicas e cognitivas deste primo pré-histórico que desapareceu há cerca de 40 mil anos. Sabe-se que ocasionalmente enterrou eles, mas outras escavações confirmam que ele também comiam eles de vez em quando. E mesmo que ele reutilizava os ossos deles como ferramentas!

Uma equipe internacional liderada pela antropóloga francesa Hélène Rougier, atualmente na Universidade Estadual da Califórnia (EUA), estudou 99 restos de Neandertal, da terceira caverna de Goyet, na Bélgica, antigos de 42.000 para 47.500 anos. Os ossos - de quatro adolescentes e de uma criança - apresentavam vestígios de cortes, estrias e incisões características da talho, disseram os cientistas na revista Scientific Reports.

Os neandertais despojavam os membros das suas próprias espécies, cortavam a carne e quebravam os ossos para extrair a medula. "As carcaças de cavalos e veados que foram encontrados no sítio foram tratadas da mesma maneira", diz o diretor de pesquisa Hervé Bocherens, da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Outras provas de canibalismo do Neandertal já foram encontradas na França em 1999, no local de Moula-Guercy (Ardèche), como depois no local de Pradelles (Charente). Na Espanha, os restos descobertos nas cavernas de Zafarraya e El Sidron também mostram que Homo neandertalensis não desprezava a carne de seus companheiros. Mas esta é a primeira vez que esta prática também é documentada inequivocamente no norte da Europa, bem comi no sítio de Spy, ainda na Bélgica, já o sugeriu.

Mas há mais: os vestígios de desgaste e choque de quatro dos ossos analisados ​​mostram que os neandertais usaram os restos dos falecidos como ferramentas. Um fêmur e três tíbias foram utilizados como martelos macios para formar ferramentas de pedra. Da mesma forma, seres humanos pré-históricos usaram frequentemente ossos de animais para operações de corte. Esta é a primeira vez que tantos ossos humanos retocados para servir como ferramentas foram descobertos no mesmo sítio. Pouco se sabe sobre como os quatro adolescentes e crianças canibalizadas morreram. Os ossos não dizem se eles sofreram uma morte violenta, se eles morreram naturalmente ou de doença.

A questão de saber se era um canibalismo de escassez ou um canibalismo ritual permanece aberta.

James Cole, um especialista do paleolítico da Universidade de Brighton (Reino Unido), de uma forma bastante morbida, examinou a explicação alimentar , respondendo a esta pergunta intrigante: qual é o valor nutricional de um homem? Sua resposta: 125.822 calorias (para um peso total de 55 kg), o suficiente para alimentar 60 pessoas em um dia. Pobre valor nutricional comparado ao do gado na época, os aurochs (979.200 calorias), ao do rinoceronte de lã (1.260.000 calorias), ou ao dos gigantescos mamutes (3.600.000 calorias). Esta análise, portanto, afastaria, por seu autor, a explicação de um canibalismo apenas alimentar a respeito de Neandertal...

Em vista de suas descobertas, James Cole acredita que o cannibalismo não foi praticado por Neandertal para uma necessidade de alimentação, mas por razões rituais, ligadas à defesa de um território e, acima de tudo, à consagração de uma luta feroz contra um inimigo difícil.

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