Os Gregos realmente têm origens quase míticas, de acordo com o analise do dna antigo

Por ND, 26 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de Ann Gibbons do 2 de Agosto 2017 para sciencemag.org.

Mulher micênica retratada em um afresco em Mycenae na Grécia continental

Esta dançarina Minoana de um afresco em Knossos, Creta (1600-1450 aC), se assemelha à mulher micênias (veja acima)

Desde o tempo de Homero, os Gregos, muito tempo idealizaram os seus "antepassados" micênicos em poemas épicos e tragédias clássicas, glorificando as façanhas de Ulysses, do rei Agamêmnon e outros heróis que foram favorecidos ou que caíram fora de favor com os deuses gregos. Embora esses micênicos sejam fictícios, os pesquisadores já discutiram muito tempo para saber se os Gregos de hoje desciam dos Micênicos da Idade do Bronze que criaram essa civilização famosa que dominou a Grécia continental e o Mar Egeu de 1600 a 1200 aC, ou se os Micênicos antigos simplesmente desapareceram da região.

Desde agora, o DNA antigo sugere que os Gregos de hoje são efetivamente descendentes dos Micênicos, com apenas uma pequena proporção de DNA proveniente de migrações posteriores para a Grécia. E que os próprios Micênicos eram intimamente ligados aos Minoicos iniciais, uma outra grande civilização que floresceu na ilha de Creta de 2600 a 1400 aC (do nome derivado do rei mítico Minos.

Os antigos Micênicos e Minoicos eram os mais intimamente relacionados uns com os outros, e ambos receberam três quartos de seu DNA dos primeiros agricultores que viviam na Grécia e no sudoeste da Anatólia, que hoje faz parte da Turquia. Ambas as culturas também herdaram do DNA das pessoas do Cáucaso oriental perto do atual Irã, sugerindo uma migração precoce das populações do Leste depois que os primeiros agricultores foram estabelecidos, mas antes da separação dos Micênicos e Minoicos.

Os Micênicos tiveram uma diferença importante: eles tinham DNA - de 4 a 16% - originário de antepassados do Norte, vindos da Europa do Leste ou da Sibéria. "Isso sugere que uma segunda onda de pessoas da estepe euro-asiática veio para a Grécia continental através da Europa do Leste ou da Armênia, mas não chegou até a Creta", diz Iosif Lazaridis, um geneticista das populações da Universidade de Harvard.

Não surpreendentemente, os Micênicos e Minoicos eram parecidos, ambos portadores de genes para cabelos castanhos e olhos castanhos. Artistas de ambas as culturas pintaram personagens de cabelos pretos e olhos escuros sobre afrescos e cerâmicas, embora as duas culturas falassem e escrevessem em diferentes idiomas. "Os Micênicos eram mais militaristas, com uma arte cheia de lanças e imagens de guerra, enquanto a arte minoica mostrava poucos sinais de guerra", diz Lazaridis. Por causa que os Minoicos usavam hieróglifos, alguns arqueólogos acharam que eram parcialmente egípcios, o que acaba por ser falso.

Quando os pesquisadores compararam o DNA dos Gregos modernos com os dos Micênicos antigos, eles encontraram uma grande quantidade de sobreposição genética. Os Gregos modernos compartilham proporções semelhantes de DNA das mesmas fontes ancestrales que os Micênicos, embora herdassem um pouco menos de DNA dos antigos agricultores anatólios e um pouco mais de DNA das migrações ulteriores para a Grécia.

A continuidade entre os Micênicos e os Gregos de hoje é "particularmente impressionante, uma vez que o Mar Egeu tem sido uma encruzilhada de civilizações desde milhares de anos", diz o co-autor George Stamatoyannopoulos, da Universidade de Washington, em Seattle. Isso sugere que os principais componentes da ascendência dos Gregos já estavam em vigor na Idade do Bronze, após que a migração dos primeiros agricultores anatólios serviram de modelo para a constituição genética dos Gregos e, de fato, da maioria dos Europeus. "A disseminação da população agrícola ocorreu neste momento crucial, quando os principais elementos da população grega já foram constituídos", disse o arqueólogo Colin Renfrew da Universidade de Cambridge no Reino Unido, que não era envolvido no trabalho.

Os resultados também mostram que é possível obter DNA antigo na paisagem quente e seca do Mediterrâneo oriental, explica Renfrew. Ele e outros agora têm a esperança de obter DNA de grupos como os misteriosos Hititas que vieram para Anatólia antiga antes de 2000 aC e que poderiam ter sido a fonte da descendência caucasiana entre os Micênicos e as primeiras línguas indo-europeias da região. O arqueólogo Kristian Kristiansen da Universidade de Gotemburgo na Suécia, que não estava envolvido no trabalho, concorda. "Os resultados agora abriram o próximo capítulo da história genética da Eurásia ocidental - a da Idade do Bronze do Mediterrâneo".

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