Segundo alguns pesquisadores, o primeiro homem apareceu na Europa e não na África

De Nicolas Drouvot, 3 de janeiro de 2019, referindo-se à noticia de Robin Verner (23/05/17) para https://www.bfmtv.com
bem como à noticia de Digitarium.fr (25/05/17) para http://decouvertes-archeologiques.blogspot.com.br

Graecopithecus freybergi viveu ha 7,2 milhões de anos atrás na savana poeirenta da Bacia de Atenas. Uma visão do local de descoberta de Graecopithecus freybergi, em Pyrgos Vassilissis, a sudeste da planície de Atenas e sob uma nuvem avermelhada de poeira do Saara; no fundo: Monte Hymettos e Monte Lykabettos

Graecopithecus freybergi viveu ha 7,2 milhões de anos atrás na savana poeirenta da Bacia de Atenas. Uma visão do local de descoberta de Graecopithecus freybergi, em Pyrgos Vassilissis, a sudeste da planície de Atenas e sob uma nuvem avermelhada de poeira do Saara. Crédito da imagem: Velizar Simeonovski.

Graecopithecus freybergi, “El Graeco”, há 7,2 milhões de anos atrás

Graecopithecus freybergi, “El Graeco”, há 7,2 milhões de anos atrás

Restos do Graecopithecus freybergi dentro de seu ambiente

Vestígios do Graecopithecus freybergi dentro de seu ambiente, em Pyrgos Vassilissis. No fundo: Monte Hymettos e Monte Lykabettos

Click!De acordo com os resultados de dois estudos científicos, a linhagem humana e de grandes símios se separou na Europa, não na África. De acordo com essa tese, disputada por uma parte do mundo científico, as duas espécies teriam divergido há mais de sete milhões de anos.

No pequeno mundo dos paleontólogos, um mistério concentra toda a atenção: a separação da linhagem que engendrou os homens daquela que deu à luz a grandes símios, ou seja, a origem do ser humano. Até agora, os cientistas concordavam em situá-la em um período entre cinco e sete milhões de anos antes de nossa era.

Dois estudos publicados em maio de 2017 na revista científica PLOS One relançam o debate. Este trabalho sugere que essa divergência de espécies teria ocorrido mais cedo do que foi dito anteriormente. E a esta nova datação também corresponde um novo local: o primeiro antepassado do Homem seria nativo do continente europeu e não da África.

Com base nestas conclusões, o exame por meio de uma nova técnica de imagiologia de fósseis localizados na bacia do leste do Mediterrâneo e conhecidos por décadas: um é a parte inferior de uma mandíbula na Grécia (em Pyrgos Vassilissis), o outro um pré-molar superior descoberto na Bulgária (em Azmaka). Esses dois vestígios, ambos com 7,2 milhões de anos, revelaram raízes de pré-molares parcialmente fundidos.

Essa descoberta é crucial aos olhos dos especialistas: essas raízes são separadas no caso dos grandes símios e fundidas em pré-humanos, como o Australopithecus. Jochen Fuss, professor da Universidade de Tübingen, na Alemanha, participando desses estudos, resumiu o sentimento geral: "Ficamos surpresos com esses resultados, enquanto os hominídeos pré-humanos conhecidos até então foram encontrados apenas em África Subsaariana ".

A descoberta de Graecopithecus freybergi, assim chamado "o Grego" pelos cientistas, provaria que os nossos antepassados já começaram a evoluir na Europa 200.000 anos antes do mais antigo hominídeo africano. Segundo a equipe internacional de pesquisadores, estas descobertas estão mudando completamente o início da história humana e situa o último ancestre comum dos chimpanzés e dos humanos - o chamado Elo Perdido - na região do mediterrâneo.

De acordo com Nikolai Spassov, da Academia de Ciências da Bulgária, "Graecopithecus não era um macaco, mas um membro do grupo dos hominídeos e um ancestre direto do Homo." Os descendentes de Graecopithecus puderam se deslocar para a África depois.

David Begun, professor de paleontologia na Universidade de Toronto, Canadá, um dos principais autores do estudo, tirou uma lição surpreendente da estimativa da antiguidade dos sítios pré-históricos onde os fósseis foram descobertos (7,24 e 7,17 milhões de anos, respectivamente): "Essa datação nos permite situar a separação entre humanos e chimpanzés na região do Mediterrâneo". Madelaine Böhm, também professora da Universidade de Tübingen e editora desses estudos, apresentou uma teoria sobre as causas dessa separação. Para ela, a conjunção da extensão do Saara há mais de sete milhões de anos e a chegada de um "ecossistema de savana" ao mesmo tempo no sul da Europa teriam favorecido a divergência entre os dois ramos.

No entanto, de acordo com pesquisadores norte-americanos entrevistados pelo Washington Post, as evidências fornecidas por esses cientistas não são tão convincentes. Primeiro, eles alegaram que os autores desses estudos tiraram conclusões desproporcionais de um material bastante pobre. Além disso, Jay Kelley, paleontólogo também, assegurou ao jornal da capital federal dos Estados Unidos que David Begun era um defensor de longa data de uma origem europeia do Homem e um desvio posterior dele para o África, uma tese que não teria despertado o entusiasmo da comunidade científica até o momento.

[Se você gostou deste artigo, poderá gostar também desta noticia, sobre a descoberta de dentes de primatas de 9,7 milhões de anos em antigo leito do rio Reno: Descobertos dentes que podem reescrever a história da humanidade!]

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