Será que o crânio de Dali corresponde a um Homo sapiens de 260.000 anos?

De Nicolas Drouvot, 22 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de CR (20/11/17) para http://www.hominides.com/
bem como ao artigo de Colin Barras (14/11/17) para https://www.newscientist.com/ e o de Kastalia Medrano (14/11/17) para http://www.newsweek.com/

Crânio descoberto em Dali em 1978

A nova hipótese do desenvolvimento do Homo sapiens pela China

Click!Um cientista chinês tenta novamente deslocar o berço da humanidade para a China...

Em 1978, equipes chinesas encontraram um crânio a 30 km ao norte da cidade de Dali, na província de Shaanxi, no centro da China. O crânio seria datado entre - 267 e - 258.000 anos atrás. Devido a cumes supra-orbitais robustos e importantes inserções musculares, o crânio, muito bem preservado, foi inicialmente atribuído à espécie Homo erectus.

Os estudos que seguiram (Wu 1981, 1989) revisaram as dimensoes do crânio para concluir que suas características morfológicas estavam a meio caminho entre Homo erectus e Homo sapiens. Agora, um novo estudo foi publicado no American Journal of Physical Antrhopology.

Uma nova análise, realizada por especialistas da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, indica que o crânio compartilha muitas características com humanos modernos. A equipe de pesquisa afirma que os restos fósseis são semelhantes aos crânios de Homo sapiens encontrados na década de 1960 em Jebel Irhoud em Marrocos. Este último tem sido objeto de uma recente e importante comunicação porque foi datado de -300.000 anos, tornando-se o mais antigo Homo sapiens conhecido no mundo.

Para a professora Sheela Athreya, co-autora do novo estudo chinês: "Esta semelhança com Jebel Irhoud é surpreendente porque esperávamos que o crânio de Dali mostra semelhanças com outros espécimes chineses, especialmente com os que precederam (Homo erectus) ... "

Os pesquisadores chineses indicam que essa semelhança com os fósseis norte-africanos demonstra que as origens do Homo sapiens são mais complexas do que a gente pensava. Em vez de uma única origem africana, a equipe se torna a favor de uma evolução sobre vários níveis.

Segundo Sheela Athreya: "Isso indica um processo complexo que envolve uma grande parte da Eurasia na evolução de nossa espécie, em vez de um único evento, um único ponto de origem e um único processo".

Sabendo que o mais antigo Homo sapiens conhecido é africano com 300 000 anos de idade, enquanto o pretendente asiático tem apenas 260 000 anos de idade, os pesquisadores tentaram imaginar muitas viagens de ida e volta entre a Ásia e a África, para colocar Dali no centro da evolução humana...

Os pesquisadores imaginam que pequenos grupos de antepassados ​​africanos emigraram para a Eurásia ha 200 mil anos atrás. Esses indivíduos então desenvolveram traços de homens modernos no leste da Ásia, antes de retornar à África e se misturar com os povos indígenas.

O homo sapiens teria evoluído a partir desses grupos cruzados e teria se espalhado por todo o mundo, levando consigo elementos de sua passagem na China. Esses múltiplos movimentos de população são bastante possíveis, mas parece que estamos tentando impor uma bela história para deslocar em parte as origens do homem moderno para a China...

A maioria dos antropólogos acredita, com base em evidências fósseis, que nossa espécie surgiu na África há cerca de 200 mil anos. Além disso, estudos genéticos de humanos modernos indicam que todos somos descendentes de uma única população que deixou a África nos últimos 120 mil anos e se espalhou por todo o mundo. Este grupo africano é a fonte de todos os genes humanos modernos, exceto alguns ganhos por cruzar com outras espécies como os Neandertais.

Assim, do ponto de vista genético, todos os estudos realizados por diferentes laboratórios vão na mesma direção: as origens do Homo sapiens são africanas. Em nenhum momento os pesquisadores internacionais encontraram vestígios de DNA asiático nos vários estudos. Parece difícil imaginar entao que a mistura genética com a Eurasia não deixou vestígios em nossa evolução.

O professor Chris Stringer (Natural History Museum, em Londres) declarou à revista New Scientist que as descobertas marroquinas e chinesas são similares do ponto de vista antropologico, mas ele duvida das conclusões do professor Athreya.

"Quando você leva em conta a grande quantidade de dados genéticos, torna-se muito difícil dar a China um papel significativo nas origens do homem moderno", disse ele.

No entanto, o crânio de Dali vem perturbar essa história... John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison, disse ao New Scientist:" Na verdade, estamos falando de uma população multi-regional, conectada recorrentemente pela migração e trocas genéticas".

Ler em contexto

Ultimas noticias

Algumas noticias recentes sobre a categoria Primeiros hominídeos publicadas no site.

Será que o homo sapiens tem 400.000 anos?
8 de janeiro de 2018

Será que o homo sapiens tem 400.000 anos?

Em Israel, arqueólogos descobriram oito dentes que parecem pertencer ao Homo sapiens em uma camada datada de 200 mil a 400 mil anos atrás. No entanto, os fósseis humanos mais antigos encontrados até agora remontam a 200 mil anos e são encontrados na África Oriental (ndlr: 300 mil anos agora em Jebel Irhoud em Marrocos!)... Durante vários anos, uma equipe de …

Será que o crânio de Dali corresponde a um Homo sapiens de 260.000 anos?
20 de novembro de 2017

Será que o crânio de Dali corresponde a um Homo sapiens de 260.000 anos?

Um cientista chinês tenta novamente deslocar o berço da humanidade para a China... Em 1978, equipes chinesas encontraram um crânio a 30 km ao norte da cidade de Dali, na província de Shaanxi, no centro da China. O crânio seria datado entre - 267 e - 258.000 anos atrás. Devido a cumes supra-orbitais …

O povoamento da América provavelmente não foi feito pelo Estreito de Bering
6 de novembro de 2017

O povoamento da América provavelmente não foi feito pelo Estreito de Bering

A questão do estreito de Bering como lugar de cruzamento dos primeiros humanos para o continente norte-americano é hoje mais e mais contestada, e em fase mesmo de ser abandonada... De fato, para alguns especialistas eminentes do povoamento da América, os primeiros colonos chegaram …

Os Neandertais sobreviveram pelo menos 3.000 anos mais na Espanha do que se pensava anteriormente

Os Neandertais sobreviveram pelo menos 3.000 anos mais na Espanha do que se pensava anteriormente

27 de novembro de 2017

Muito próximo de nós, Neandertal desaparece misteriosamente no norte da Espanha e no sul da França em torno de 40.000 BP, suplantado por um primo que provavelmente chegou do Oriente Médio dez mil anos antes: o homem de Cro-Magnon (a partir do nome de uma caverna, em Dordogne, França, onde seus primeiros ossos foram descobertos em 1868).

Os Neandertais, no entanto, sobreviveram ao menos 3.000 anos mais do que pensávamos no sul da Península Ibérica, muito mais depois da sua morte em qualquer outro lugar, de acordo com um novo estudo publicado na internet (em acesso aberto). Os cientistas não conseguiram desenvolver uma teoria comum explicando por que essa espécie de hominídeos, mais próxima de nós, desapareceu da Terra há milhares de anos, mas, por outro lado …