Um esqueleto de 13.000 anos revela a origem dos ameríndios

Por ND, 15 de novembro de 2017, referindo-se ao artigo de Frédéric Saliba (16/05/14) para http://www.lemonde.fr/

O esqueleto de Naia

Um esqueleto de 13.000 anos revela a origem dos ameríndios. Os cientistas a chamaram Naia, a partir do nome de uma ninfa da mitologia grega. De acordo com o Instituto Mexicano de Antropologia e História (INAH), o esqueleto humano mais antigo do continente americano foi descoberto em uma caverna subaquática no sul do México, que remonta há 12.000 a 13.000 anos atrás. A análise de DNA dos ossos dessa moça, portanto, acabaria com o debate sobre as origens dos ameríndios.

Os cientistas assumem que esta mulher, de 15 ou 16 anos, entrou na caverna para buscar água, antes de cair, morrendo no local. A datação dos ossos ao radiocarbono e as análises do DNA mitocondrial extraído da polpa de um dos molares de Naia revelam que a sua origem genética é asiática.

"Isso prova que os primeiros ocupantes das Américas vieram da Sibéria atravessando a faixa de terra que liga a Ásia e o Alasca, agora submersas em baixo do estreito de Behring", diz Pilar Luna Erreguerena, do INAH, que liderou este projeto espeleológico. Além disso, essa descoberta confirma o vínculo entre esses paleo-americanos e os ameríndios contemporâneos.

A questão prolongou muito tempo o debate entre os arqueólogos porque a morfologia facial dos mais antigos esqueletos encontrados no continente, que remonta a 12 mil anos, não se assemelha à dos atuais ameríndios. Estes últimos têm um rosto mais curto e menos estreito do que os dos primeiros ocupantes das Américas.

Além de forneceruma dataçao precisa, sua análise anatômica e genética revela que o crânio de Naia tem características semelhantes aos nativos americanos contemporâneos. "Isso exclui a hipótese de que os índios de hoje não fossem os descendentes dos primeiros americanos", diz José Concepción Jiménez, pesquisador em antropologia física.

"Suas diferenças morfológicas estão ligadas à evolução genética experimentada pelos ameríndios durante os milhares de anos gastos no continente, para se adaptarem às condições climáticas da região".

Poucos meses antes do anúncio da descoberta de Naia no México, o estudo do genoma de um moçinho que morava no Montana há quase 13.000 anos distorcia a idéia de que a civilização Clovis, em que ele pertencia, teria vindo da Europa. É a semelhança das ferramentas líticas clovis com as pedras lascadas solutreanas presentes no Velho Continente que despertou essa hipótese. Publicado na revista Nature o 13 de fevereiro, a análise de DNA de Anzick-1, bem como a criança foi batizada, confirma que era de ascendência asiática, tendo uma proximidade maior com os Siberianos do que com os Eurasianos. Seu genoma, que é semelhante ao dos ameríndios modernos, deveria permitir de compreender melhor a sucessão do povoamento das Américas a partir do Estreito de Bering.

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