A análise linguística revela que a família da língua dravidiana tem cerca de 4.500 anos de idade

Traduzido por ND, 23 de abril de 2018, referindo-se ao artigo do MAX PLANCK INSTITUTE FOR THE SCIENCE OF HUMAN HISTORY (03/2018) para https://www.heritagedaily.com

A origem da família de línguas dravidianas, composta por cerca de 80 variedades faladas por 220 milhões de pessoas no sul e centro da Índia e países vizinhos, pode ser datada de cerca de 4.500 anos atrás

A origem da família de línguas dravidianas, composta por cerca de 80 variedades faladas por 220 milhões de pessoas no sul e centro da Índia e países vizinhos, pode ser datada de cerca de 4.500 anos atrás / CC License - Shiva Pashupat

Este é um mapa das línguas dravidianas na Índia, Paquistão, Afeganistão e Nepal. Idiomas presentes no conjunto de dados usado neste artigo

Este é um mapa das línguas dravidianas na Índia, Paquistão, Afeganistão e Nepal. Idiomas presentes no conjunto de dados usado neste artigo / CRÉDITO: Kolipakam et al. A Bayesian phylogenetic study of the Dravidian language family. Royal Society Open Science (2018).

A origem da família de línguas dravidianas, composta por cerca de 80 variedades faladas por 220 milhões de pessoas no sul e centro da Índia e países vizinhos, pode ser datada de cerca de 4.500 anos atrás. Esta estimativa é baseada em novas análises linguísticas por uma equipe internacional, incluindo pesquisadores do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, que usaram dados coletados diretamente de falantes nativos representando todos os subgrupos dravidianos relatados anteriormente. Esses resultados, publicados na Royal Society Open Science, correspondem bem aos estudos linguísticos e arqueológicos anteriores.

Um grupo importante para entender as dispersões humanas na África e as migrações subsequentes em grande escala

O Ásia do Sul, que se estende do Afeganistão no Oeste até Bangladesh no Leste, abriga pelo menos seiscentas línguas pertencentes a seis famílias linguísticas principais, incluindo dravidiano, indo-europeu e sino-tibetano. A família linguística dravidiana, composta por cerca de 80 variedades de línguas e dialetos é hoje falada por cerca de 220 milhões de pessoas, principalmente no Sul e no centro da Índia, mas também nos países vizinhos. Suas quatro maiores línguas, kannada, malaiala, tâmil e télugo, têm tradições literárias que se estendem por séculos incluindo o tâmil que é o mais distante. Com o sânscrito, o Tâmil é uma das línguas clássicas do mundo, mas ao contrário de sânscrito, há uma continuidade entre as suas formas tradicionais e modernas, documentadas em inscrições, poemas, textos e canções religiosas.

"O estudo das línguas dravidianas é crucial para a compreensão da pré-história na Eurásia, uma vez que elas desempenharam um papel importante na influência de outros grupos linguísticos", diz Annemarie Verkerk, autora correspondente do Instituto Max Planck de ciência da história humana. Nem a origem geográfica da língua dravidiana nem a sua exata dispersão ao longo do tempo são conhecidas com certeza. O consenso da comunidade de pesquisa é que os Dravidianos são do subcontinente indiano e estavam presentes antes da chegada dos Indo-Arianos (falantes indo-europeus) na Índia há cerca de 3.500 anos. É provável que as línguas dravidianas fossem muito mais prevalentes no Oeste da Índia no passado do que são hoje.

A fim de examinar questões sobre quando e onde as línguas dravidianas se desenvolveram, os pesquisadores estudaram em detalhes as relações históricas de 20 variedades dravidianas. O autor do estudo, Vishnupriya Kolipakam, do Wildlife Institute of India, coletou dados contemporâneos em primeira mão de falantes nativos de uma amostra diversificada de línguas dravidianas, representando todos os subgrupos dravidianos anteriormente relatados.

Os pesquisadores usaram métodos estatísticos avançados para inferir a idade e o subgrupo da família da língua dravidiana por volta de 4.000 a 4.500 anos. Esta estimativa, embora consistente com as sugestões de estudos anteriores de linguagem, é um resultado mais robusto, pois foi consistentemente encontrado na maioria dos diferentes modelos de evolução estatística testados neste estudo. Essa idade corresponde bem aos achados da arqueologia, que anteriormente havia colocado a diversificação dos dravidianos nos ramos norte, central e sul exatamente nessa idade, coincidindo com o início dos desenvolvimentos culturais óbvios no registro arqueológico.

Pesquisas futuras seriam necessárias para esclarecer as relações entre esses ramos e examinar a história geográfica da família linguística. "Temos aqui uma oportunidade realmente interessante de estudar as interações entre esses povos e outros grupos culturais da região, como o indo-europeu e o austro-asiático, em uma das grandes encruzilhadas da pré-história humana" diz Simon Greenhill do Instituto Max Planck de ciência da história humana.

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