A descoberta de um crânio de primata esclarece a evolução dos macacos

Traduzido por N.D., 26 de julho de 2018, referindo-se à noticia de Sciences et Avenir avec AFP do 10/08/17 para https://www.sciencesetavenir.fr

Crânio fóssil descoberto perto do Lago Turkana, no Quênia

Crânio fóssil descoberto perto do Lago Turkana, no Quênia. Isaiah Nengo EPV

O crânio completo de um macaco bebê que viveu há 13 milhões de anos atrás foi desenterrado no Quênia. A notável descoberta lança luz sobre a evolução humana - e revela como nosso ancestral comum poderia ter parecido

O crânio completo de um macaco bebê que viveu há 13 milhões de anos atrás foi desenterrado no Quênia. A notável descoberta lança luz sobre a evolução humana - e revela como nosso ancestral comum poderia ter parecido

Nyanzapithecus alesi provavelmente era notavelmente semelhante a um gibão (foto), afirmam os cientistas.

Nyanzapithecus alesi provavelmente era notavelmente semelhante a um gibão (foto), afirmam os cientistas.

Click!A descoberta de um crânio de 13 milhões de anos pertencente a um macaco próximo ao ancestral comum dos macacos e humanos atuais oferece novas pistas para sua evolução.

O que poderia parecer o ancestral comum dos grandes macacos vivos e humanos? A notável descoberta na África de um crânio de um jovem primata de 13 milhões de anos dá uma ideia, revela um estudo. Encontrado perto do lago Turkana, no Quênia, o fóssil é o de uma nova espécie pertencente ao gênero Nyanzapithecus, um ramo primitivo dos hominoides. O grupo de hominoides, ou seja, dos grandes macacos ("ape" em inglês), atualmente inclui humanos, chimpanzés, gorilas, bonobos, orangotangos e gibões.

Apelidado de Nyanzapithecus alesi ("ales", que significa ancestral em Turkana), a nova espécie "parecia um gibão" em alguns aspectos, mas não em outros, diz à AFP Isaiah Nengo, primeiro autor do estudo publicado em 9 de agosto de 2017 na revista Nature. O primata tinha uma face plana, mas não se movia da mesma forma que os gibões. Os cientistas determinaram que ele tinha um ano e quatro meses de idade na época de sua morte. Adulto, ele teria pesado cerca de 11 quilos. "Nyanzapithecus alesi fazia parte de um grupo de primatas que viveu na África por mais de 10 milhões de anos", diz Isaiah Nengo. "Sua descoberta mostra que esse grupo estava próximo da origem dos grandes símios e humanos atuais e que essa origem era na África", acrescenta o pesquisador do Instituto da Bacia do Turkana e da Universidade de Stony Brook (Estados Unidos).

Sua equipe descobriu o fóssil em 2014 em sedimentos vulcânicos na área de Napudet, a oeste do lago Turkana (norte do Quênia). "Esta é uma descoberta excepcional porque o crânio está quase completo", diz Paul Tafforeau, paleoantropólogo da ESRF, o síncrotron europeu em Grenoble (França), onde o fóssil foi escaneado em três dimensões.

Alesi viveu durante o Mioceno (entre 23 milhões e 5 milhões de anos). Porém, muito poucos fósseis de grandes símios foram encontrados até agora pelo período anterior a 7 milhões de anos. O mais antigo fóssil conhecido foi descoberto em depósitos de 25 milhões de anos na Tanzânia, mas é apenas uma maxila. Alguns dentes isolados e um pedaço de úmero foram também encontrados. Alesi vem preencher uma lacuna e os paleontólogos se alegram. "Nunca pensei que isso aconteceria na minha vida", escreveu Brenda Benefit, da Universidade do Novo México (EUA), em um comentário publicado na revista Nature.

"O que torna este espécime tão interessante é que estamos em um estágio crucial na diversificação de grandes símios, pouco antes da colonização da Europa e da Ásia por certas espécies a partir da África ", diz Paul Tafforeau. "Nós suspeitamos que a origem do grupo estava na África, mas este fóssil mostra que a principal evolução do grupo permaneceu neste continente", disse o pesquisador, co-autor do estudo. "Isso invalida em grande parte a chamada teoria de "uma passagem de ida e volta", ou seja, o fato de que o grupo hominoide teria aparecido na África, evoluiu na Ásia e retornou à África depois disso, de acordo com ele.

É o fóssil de macaco mais completo para o Mioceno descoberto até hoje, acrescenta ele. Ligeiramente deformado, só faltam seus dentes de leite que foram quebrados. A imagiologia sofisticada do síncrotron de Grenoble tornou possível calcular quase exatamente a idade desse primata, graças às estrias de crescimento dos dentes. No momento da sua morte, ele tinha 485 dias, com uma margem de erro de 40 dias. "Sua sequência dentária é a mesma dos gibões atuais", diz Paul Tafforeau. Mas seu ouvido interno é muito diferente daquele destes últimos, muito ágeis para se mover nas árvores. O ouvido interno de Alesi é mais parecido com aquele do chimpanzé. O ancestral comum aos humanos e chimpanzés viveu na África há sete milhões de anos atrás.

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