A indomável aldeia gaulesa estava em León

Tradução de Nicolas Drouvot, 28 de janeiro de 2019, referindo-se à noticia de Vicente G. Olaya (19/11/18) no site https://elpais.com

Reconstrução idealizada de Lancia

Reconstrução idealizada de Lancia. ÁLVARO NOGAL

Lancia, la última ciudad que resistió a los romanos (video em espanhol)

Queres explicar-nos, O César, o que significa isto?

Lancia, a última cidade da Hispânia que resistiu aos Romanos? - Na direita: "Queres explicar-nos, O César, o que significa isto?" / Tirado de 'Asterix, O Domínio dos Deuses'

Mercado romano de Lancia

Mercado romano de Lancia. ILC / Jesús Celis

Conjunto de edifícios públicos e privados no ambiente do fórum

Conjunto de edifícios públicos e privados no ambiente do fórum. ILC / J.Celis

Click!Lancia, a última cidade da Hispânia que resistiu aos Romanos, será acessível ao público incluindo as áreas que estão sob os viadutos da rodovia A-60.

"Estamos no ano 25 antes de Jesus Cristo, toda a Hispânia é ocupada pelos Romanos ... Toda? Não! Uma aldeia povoada por indomáveis Ásturos resiste ainda e sempre ao invasor". Não é o começo da famosa história em quadrinhos do Asterix, o Gaulês. É uma história real. A cidade, chamada de Lancia, era localizada a 15 quilômetros em linha reta de León (o antigo acampamento da Legio VI Victrix e da Legio VII, que deu origem à atual capital da província). O Conselho Provincial abrirá em breve ao público este local espetacular, com cerca de cem hectares de extensão, que desde 1996 foi escavado por arqueólogos entre as atuais fronteiras municipais de Villasabariego e Mansilla Mayor. O complexo histórico dos últimos Ásturos livres também tem uma grande vantagem: fica ao lado da A-60, a rodovia que liga Valladolid a León.

Mais de 50 mil peças arqueológicas foram desenterradas nas 17 campanhas de pesquisa que foram desenvolvidas na última cidade da Hispânia que resistiu às legiões romanas, de acordo com textos históricos. Depois da conquista deste oppidum (cidade construída em uma colina) que ocupava aproximadamente 30 hectares, e da construção, em cima dele, de um assentamento romano, o imperador César Augusto podia, desde então, dizer que não tinha mais nenhuma cidade na província mais ocidental do império resistindo a seu poder.

As tribos cantábricas e asturianas foram as últimas a resistir à força de Roma. Entre 29 e 19 aC, o imperador empreendeu uma cruzada pessoal contra grupos tribais que resistiam aos ataques de suas legiões ao norte da Península. Os primeiros a serem massacrados foram os Cantábricos (estimados a 80.000 mortos), que fizeram com que os Ásturos se retirassem para as terras do interior para se defenderem. Mas eles gradualmente perderam terreno em frente ao poder militar de Roma: Legio IV Macedonica, Legio V Alaudae, Legio VI Victrix e Legio X Gemina, que foram dirigidas pelo General Publio Carisio.

Sem nenhuma saída militar possível, as tribos asturianas estavam trancadas em Lancia, um oppidum que lhes oferecia mais proteção graças aos canais dos rios Porma e Esla, e que podiam abrigar até 10 mil pessoas. Portanto, Roma levantou ao redor do rio Esla três acampamentos. Os Ásturos, desesperados, planejaram um contra-ataque. Tudo ou nada. Porém, um dos grupos tribais (os Brigaecinos) os traíram. Eles pactuaram com Publio Carisio. O ataque desesperado dos sitiados foi rejeitado pelas legiões e a cidade caiu pouco depois.

A luta foi amarga. Para a vida ou a morte. O historiador romano Florus escreveu que a resistência de Lancia era tal que as legiões reivindicaram sua completa destruição como vingança. Outro historiador romano, Orosio, descreveu a batalha em sua 'Historiae adversus paganus' da seguinte forma: "Os Ásturos, desde seu acampamento perto do rio Astura, teriam vencido os Romanos com grandes projectos e grandes forças se não tivessem sido avisados e impedidos [pelos atos dos Brigaecinos]. Tentando destruir os três legados de surpresa, com as suas três legiões e divididos em três acampamentos, com três frentes de exército, eles foram descobertos por uma traição ". Em todo caso, apesar da vitória, as perdas romanas foram substanciais. De fato, as legiões romanas ficaram enfurecidas após a batalha e reclamaram a destruição de Lancia como vingança. Mas seu pedido não foi levado em conta pelo general Publius Carisio, que obteve a preservação do oppidum "como melhor monumento para a vitória romana, em vez de ser devastado pelo fogo".

Lancia começou a ser escavada em meados do século XIX. O trabalho continuou na década de 50 do século passado pelo arqueólogo Francisco Jordá Cerdá, mas só foi a partir de 1996 que os avanços foram notáveis a partir do trabalho do Instituto Leonés de Cultura. Em 2010, a construção da rodovia (a A-60) colocou em perigo o assentamento: suas quatro pistas tinham que atravessar os subúrbios da cidade. Houve até um movimento cidadão ativo para salvar os vestígios históricos. Novos vestígios foram descobertos e as obras foram paralisadas. Por fim, chegou-se a um acordo: a rodovia passaria pelos arredores da Lancia via viadutos, deixando os vestígios importantes prontos para serem acessíveis. Eles estão atualmente cobertos e protegidos com terra.

Em julho de 2018, a Ministra da Cultura e Turismo, María Josefa García Cirac, e o Presidente do Conselho Provincial de Leão, Juan Martínez Majo, concordaram com um protocolo para restaurar e tornar a cidade aberta aos visitantes. Jesus Celis, diretor das escavações e técnico sênior do Patrimônio Cultural no Conselho Provincial de León, explica que os primeiros passos já estão sendo dados para a elaboração do projeto e que o Conselho Provincial de León incluirá em seu orçamento de 2019 um total de 210.000 euros para o projeto.

As escavações que foram feitas até agora, e que compõem a área que será visitada, estão centradas na parte superior da colina em que a cidade se encontrava e nas áreas do subúrbio encontradas sob a rodovia. Elas foram realizadas pelo Instituto Leonés de Cultura e pela empresa Stratos SL. Elas incluem as termas, o mercado porticado e várias estradas, um possível mutatio (espécie de posto de parada), armazéns, casas e fazendas. Os trabalhos incluirão um centro de interpretação que nos permitirá entender a magnitude de um local que não aparece nos quadrinhos, mas que foi tão heroico quanto a aldeia de Asterix.

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