A preguiça poderia ter levado o Homo Erectus à extinção

Traduzido por Nicolas Drouvot, 14 de agosto de 2018, referindo-se à noticia de Alain Labelle do 13/08/18 para https://ici.radio-canada.ca bem como à noticia de Yasemin Saplakoglu do 10/08/18 para https://www.livescience.com

Representação artística de um Homo erectus

Representação artística de um Homo erectus. Foto: Smithsonian's National Museum of Natural History.

O Dr. Ceri Shipton trabalhando no local de Saffaqah

O Dr. Ceri Shipton trabalhando no local de Saffaqah. Foto: ANU

Click!O Homo erectus, uma espécie de seres humanos primitivos teria desaparecido em parte porque era "preguiçoso", pensam os antropólogos australianos.

O Dr. Ceri Shipton e seus colegas da Universidade Nacional da Austrália realizaram escavações arqueológicas sobre as antigas populações humanas no local de Saffaqah, na Península Arábica.

Segundo eles, o Homo erectus usou "estratégias de menor esforço" para a fabricação de ferramentas e coleta de recursos.

Essa "preguiça" associada à incapacidade de se adaptar a um clima em mudança provavelmente desempenhou um papel na extinção da espécie, afirmou o Dr. Shipton.

"Eu não tenho a impressão de que foram exploradores olhando para além do horizonte, eles não têm o mesmo sentimento de admiração que nós." (Ceri Shipton)

As capacidades de inovação e adaptação são geralmente vistas na forma como as espécies fazem suas ferramentas de pedra e usam recursos.

"Para fazer suas ferramentas de pedra, eles usaram pedras que encontraram em torno de seu acampamento, que eram em sua maioria de qualidade relativamente baixa comparada com o que, mais tarde, os fabricantes de ferramentas de pedra usaram. "

Perto do local do estudo, os cientistas notaram um bom afloramento de rocha a uma curta distância de uma pequena colina.

Segundo eles, em vez de se esforçarem para subir a colina, os Homo erectus só usavam o que encontraram no sopé da colina.

"Quando estudamos o afloramento rochoso, não encontramos nenhum sinal de atividade, artefato e pedreira." (Ceri Shipton)

Segundo o Sr. Shipton, o grupo devia conhecer a presença desse recurso, mas como já tinha uma fonte de pedra, não teria se deslocado para o outro.

Esse comportamento contrasta com o dos fabricantes de ferramentas de pedra que seguirão, como os primeiros Homo sapiens e Neandertais, que escalavam as montanhas para encontrar uma pedra de boa qualidade e a transportavam por longas distâncias para talhá-la.

A incapacidade de progredir tecnologicamente, no momento em que seu ambiente se tornou deserto, contribuiu para o desaparecimento desta população.

" As amostras de sedimentos analisadas mostram que o ambiente ao seu redor estava mudando, mas continuaram a fazer exatamente a mesma coisa com suas ferramentas." (Ceri Shipton)

"Não só eles eram preguiçosos, mas também eram muito conservadores", disse Shipton. Suas ferramentas permaneceram as mesmas em termos de tamanho e composição, pois o ambiente ao seu redor mudou.

"Não houve progressão alguma, e suas ferramentas nunca estão longe dos leitos dos rios agora secos", disse Shipton.

Na ausência de progresso tecnológico, os antropólogos pensam que teriam desaparecidos quando o meio ambiente se tornou seco demais para eles.

Os detalhes deste trabalho estão publicados na revista PLOS ONE (em inglês).

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