Arqueólogos descobrem um baixo-relevo de 3.800 anos no Peru

Tradução de Nicolas Drouvot, 22 de agosto de 2018, referindo-se à noticia de jcg (17/08/18) no site https://www.dw.com
bem como à noticia de Óscar Paz Campuzano (16/08/18) no site https://elcomercio.pe

As cobras estão indo em direção ao que parece ser o símbolo de uma semente antropomórfica em processo de germinação (escavando no solo).

"As cobras estão indo em direção ao que parece ser o símbolo de uma semente antropomórfica em processo de germinação (escavando no solo)." (Alessandro Currarino / El Comercio)

Outros baixos-relevos descobertos nas proximidades mostraram humanos emaciados.

"Outros baixos-relevos descobertos nas proximidades mostraram humanos emaciados." (Alessandro Currarino / El Comercio)

Vichama era uma comunidade de pescadores e uma das diferentes cidades da civilização Caral

"Vichama era uma comunidade de pescadores e uma das diferentes cidades da civilização Caral." (Alessandro Currarino / El Comercio)

Foto do Ministério da Cultura do Peru mostrando uma das estatuetas de argila em Lima.

Foto do Ministério da Cultura do Peru mostrando uma das estatuetas de argila em Lima.

Click!Baixos-relevos foram descobertos no que já foi uma cidade de pescadores da civilização Caral, a mais antiga das Américas (3500 a 1800 aC).

Considera-se que o baixo-relevo simboliza um período de seca e fome causado pelas alterações climáticas.

Arqueólogos descobriram um antigo baixo-relevo no Peru, informou a agência de notícias Andina. A parede tem cerca de 3800 anos e representa cobras e cabeças humanas.

A uma altura de um metro e um comprimento de 2,8 metros, o baixo-relevo foi descoberto no sítio arqueológico de Vichama, a 110 quilômetros ao norte de Lima, capital do Peru.

O local da Vichama é uma das áreas de escavação da recém-descoberta civilização de Caral, também conhecida como Norte Chico, e tem sido explorada por arqueólogos desde 2007.

A civilização de Caral tem 5 mil anos, tornando-se a civilização mais antiga das Américas e floresceu no mesmo tempo que as crescentes civilizações mesopotâmicas, egípcias e chinesas. O povo de Caral vivia no Vale do Supe, ao longo da costa norte-central do Peru.

Acredita-se que Vichama era uma comunidade de pescadores e uma das diferentes cidades da civilização Caral. A parede era feita de adobe, um material parecido a argila a partir do qual são feitos os tijolos e está localizado no ponto de entrada de uma sala cerimonial do templo, utilizada para as ofertas.

O baixo-relevo apresenta quatro cabeças humanas, lado a lado, de olhos fechados, com duas cobras passando entre eles e em torno deles.

As cobras estão indo em direção ao que parece ser o símbolo de uma semente antropomórfica em processo de germinação (escavando no solo).

O arqueólogo Ruth Shady, que supervisionou o local e anunciou a descoberta, emitiu a hipótese de que as cobras são uma divindade da água irrigando a terra e fazendo crescer as sementes.

Shady disse que o baixo-relevo provavelmente foi feito no final de uma seca e fome que a civilização Caral tem conhecido. Outros baixos-relevos descobertos nas proximidades mostraram humanos emaciados.

Os arqueólogos acreditam que a descoberta do baixo-relevo reforça a noção de que esses primeiros seres humanos estavam tentando descrever as dificuldades que enfrentavam devido à mudança climática e escassez de água, o que teve um impacto significativo na produção agrícola.

Assim, a civilização Caral teria abandonado seus templos há 3.800 anos para escapar da escassez de alimentos que os matava de fome. Seus habitantes deixaram o vale do rio Supe e migraram para regiões vizinhas, mais próximas do mar. Nesse lugar, construíram novos templos, onde deixaram um testemunho da grande seca que sofreram.

Entre as descobertas surpreendentes estão as estatuetas de argila encontradas em 2015 em uma cesta de junco dentro de um edifício na antiga cidade de Vichama.

As estatuetas provavelmente foram usadas para ritos religiosos antes da construção de um novo edifício.

Duas das figuras, um homem e uma mulher nus pintados de branco, preto e vermelho, representariam as autoridades políticas. A terceira, uma mulher com 28 dedos e pontos vermelhos no seu rosto branco, seria uma sacerdotisa.

A equipe de pesquisa, liderada pela arqueóloga Ruth Shady, também desenterrou dois rostos femininos de argila envoltos em um vestuário coberto de penas amarelas, azuis e laranjas.

Este local de escavação permitiu, até agora, a descoberta das ruínas de 22 edifícios em uma área de 25 hectares, datando de 1800 a 1500 aC.

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