Bretanha: uma canção do século XV gravada em uma pedra foi ressuscitada

Tradução de Nicolas Drouvot, 22 de fevereiro de 2019, referindo-se à noticia de Bernadette Arnaud (10/04/17) no site https://www.sciencesetavenir.fr

Gherardo Starnina, Fragmento de um retábulo (47,7 × 71,8 cm), por volta de 1400-1410, Museum Boijmans Van Beuningen

Gherardo Starnina, Fragmento de um retábulo (47,7 × 71,8 cm), por volta de 1400-1410, Museum Boijmans Van Beuningen

Transcrição da partitura musical em papel por Françoise Labaune-Jean, arqueóloga do Inrap

Transcrição da partitura musical em papel por Françoise Labaune-Jean, arqueóloga do Inrap.

Placa de xisto com partitura musical do século XV, descoberta durante escavações arqueológicas do convento dos Jacobinos, em Rennes

Placa de xisto com partitura musical do século XV, descoberta durante escavações arqueológicas do convento dos Jacobinos, em Rennes. / Créditos: Inrap

Click!Arqueólogos deram nova vida a uma melodia do século XV encontrada em uma placa de xisto exumada durante as escavações do convento dos jacobinos de Rennes. A soprano Dominique Fontaine explica como.

A pequena "ardósia" medieval gravada com apenas 20 cm de largura apareceu durante as escavações no enchimento do convento dos jacobinos em Rennes. "Ela foi localizada no local do grande refeitório, datado do século XV, lembra Gaetan Le Cloirec, arqueólogo do Instituto Nacional de Pesquisa Arqueológica Preventiva (INRAP) que liderou este impressionante estaleiro de 2011 a 2013.

Este não foi a primeira ardósia encontrada, algumas outras tinham desenhos de jogo da macaca, outras tinham desenhos de barcos, mas esta última parecia muito especial para nós: estudando estes grafites de perto, vimos que esta laje de xisto incluía ... uma partitura musical!

Quatro linhas feitas de notas em forma de losango, que identificarão uma canção do século XV que, diferentemente do solfejo atual, não era transcrita em cinco linhas. Uma decifração feita graças a Dominique Fontaine, soprano do grupo musical Ad Lib, em Rennes, um dos poucos cantores salmistas (o equivalente a um mestre de capela) especializado em música religiosa antiga.

"Pode ter sido um ensaio de composição como parte de um curso ou de um trabalho original", diz a cantora. "Se considerarmos que a melodia está completa, este é uma partitura de modo "Lá Eólio", uma forma relativamente tardia na música religiosa europeia ". Na Idade Média, as canções religiosas eram compostas em sua maioria em 4 modos: ré, mi, fá e sol. "Para que conste, este modo de Lá é atualmente muito popular na música celta tradicional... e mais amplamente em heavy metal, disse a cantora que continua: Raros são os trabalhos instrumentais notados nestes períodos porque é pela voz que se expressava a oração.

Também, foi pensado desde o tempo de São Gregório (Papa Gregório I) que a oração seria melhor compreendida por Deus por ser cantada em todos os lugares e por todos, em momentos específicos. Daí os "Livros das Horas" para seguir as celebrações do dia ".

A cantora decodificou e interpretou essa melodia religiosa.

"Quando eu apresentei a minha gravação no local da escavação aos trinta arqueólogos que estavam presentes, todos nós tivemos uma pontada no coração, confessa Gaetan Le Cloirec. O passado foi repentinamente personificado através dessa voz.

A canção também foi divulgada em 15 de março de 2017 durante a entrega oficial aos serviços do Estado do relatório final das escavações do convento dos Jacobinos de Rennes. Um projeto excepcional em que mais de sessenta pesquisadores participaram e que permitiu descobrir templos romanos, edifícios antigos e milhares de objetos. Mais de 800 enterramentos também foram descobertos, incluindo caixões e relicários de chumbo, bem como os restos surpreendentes de Louise de Quingo (1656) encontrados em um estado espetacular de preservação. O que permite reescrever uma parte da história da grande cidade bretã ... num ar de música!

Duas grandes exposições estão previstas no Museu da Bretanha entre 2018 e 2019.

[Se você gostou deste artigo, poderá gostar também desta noticia sobre uma outra descoberta excepcional ocorrida com as escavações do convento jacobino de Rennes, a abertura de um caixão de chumbo em 2015 que revelou uma série de detalhes desconhecidos sobre a vida das classes altas do século XVII: O enterro excepcional de Louise de Quengo, dama do século XVII]

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