DNA irlandês é originário do Oriente Médio e da Europa Oriental

Traduzido por N.D., 26 de abril de 2018, referindo-se ao artigo de Tim Radford do 28/12/15 para https://www.theguardian.com

Escavado perto de Belfast em 1855, os ossos desta agricultora foram extraidos de um túmulo neolítico de mais de 5.000 anos

Escavado perto de Belfast em 1855, os ossos desta agricultora foram extraidos de um túmulo neolítico de mais de 5.000 anos. Seu DNA foi agora sequenciado. Foto: Daniel Bradley, Trinity College, Dublin

Uma reconstrução do crânio neolítico de Ballynahatty por Elizabeth Black

Uma reconstrução do crânio neolítico de Ballynahatty por Elizabeth Black. Seus genes nos dizem que ela tinha cabelos pretos e olhos castanhos. Foto: Barrie Hartwell

Click!A análise do genoma mostra que a migração em massa dos agricultores da Idade da Pedra do Crescente Fértil e os colonos da Idade do Bronze da Europa Oriental foram a base da população celta.

Cientistas de Dublin e Belfast estudaram em profundidade o início da história da Irlanda para descobrir um modelo de migração ainda hoje familiar: colonos da Idade da Pedra do Crescente Fértil e migrantes econômicos de a Idade do Bronze que iniciou sua jornada em algum lugar da Europa Oriental.

A evidência foi estabelecida através dos ossos de uma agricultora de 5.000 anos encontrados em um túmulo em Ballynahatty, perto de Belfast, e nos restos de três homens que viveram entre 3.000 e 4.000 anos atrás, enterrados na ilha de Rathlin no condado de Antrim.

Os cientistas do Trinity College de Dublin usaram de uma técnica chamada análise do genoma completo para "ler" não as características únicas de cada indivíduo, mas uma história mais ampla de migração ancestral e colonização no DNA dos quatro corpos.

Eles confirmam uma imagem que surgiu por décadas de estudos arqueológicos. As comunidades migrantes não competiram com os irlandeses originais. Eles se tornaram os Irlandeses.

Os ancestrais dos agricultores da Idade da Pedra iniciaram sua jornada nas terras bíblicas, onde a agricultura começou e chegaram à Irlanda, talvez através do sul do Mediterrâneo. Eles trouxeram consigo gado, cereais, cerâmicas e uma tendência a cabelos pretos e olhos castanhos (como a defunta do túmulo de Ballynahatty).

Esses colonos foram seguidos por pessoas estepe pôntica do sul da Rússia, que sabiam como extrair o cobre e trabalhar com ouro, e que carregavam consigo a variante genética de uma doença do sangue chamada hemocromatose, uma doença genética hereditária tão comum na Irlanda, que às vezes é referida como doença celta.

Essas pessoas também trouxeram consigo a variação hereditária que permite a digestão do leite depois da infância e poderiam até ter trazido a linguagem que se tornara mais tarde a língua irlandesa. Alguns deles também tinham olhos azuis.

"Houve uma grande onda de mudanças genômicas que varreu a Europa a partir do norte do Mar Negro, na Idade do Bronze europeu, e agora sabemos que se espalhou para a costa de sua ilha mais ocidental ", diz Dan Bradley, professor de genética de populações no Trinity College, em Dublin.

"E esse grau de mudança genética convida à possibilidade de outras mudanças associadas, talvez até mesmo a introdução da linguagem ancestral às línguas celtas ocidentais".

A equipe de Dublin e seus colegas da Universidade de Queens, em Belfast, relatam nos Atos da Academia Nacional de Ciências, que as duas principais mudanças na pré-história europeia - o surgimento da agricultura e da metalurgia - foram não apenas mudanças culturais. Uma população anterior de caçadores-coletores foi submergida sucessivamente por recém-chegados. E na Irlanda, esses novos colonos começaram a formar uma nação.

"Essas descobertas", dizem os autores, "sugerem o estabelecimento dos atributos centrais do genoma irlandês há 4.000 anos".

Assumindo que todo o DNA humano conta uma história não apenas de identidade individual, mas de dez mil anos de ancestralidade, os pesquisadores começaram a reconstruir toda a história do homo sapiens. A história é incompleta e constantemente revisada, mas os contornos da colonização da Europa e da Ásia narrados pelo DNA confirmam e iluminam as evidências arqueológicas.

Os humanos modernos chegaram relativamente tarde nas Ilhas Britânicas após o fim da Idade do Gelo. As evidências de uma colonização precoce na Irlanda são escassas e indiretas: em 2013, os pesquisadores examinaram o DNA do caramujo Cepaea nemoralis na Irlanda e identificaram-no como intimamente relacionado com as espécies encontradas nos Pireneus franceses. A melhor explicação até agora é que esses caracóis podem ter chegado há 8.000 anos entre os restos da lancheira, por assim dizer, de uma comunidade muito mais antiga de comerciantes ou imigrantes europeus. Ninguém pode dizer quem eram essas pessoas, ou por que elas vieram com um gosto por caracóis.

Mas o último estudo esclarece mais sobre o nascimento de uma nação. Os três defuntos da ilha Rathlin levavam o que é hoje o tipo mais comum de cromossomo Y irlandês, herdado apenas de ancestrais masculinos.

"Está claro que este projeto demonstrou que ferramenta poderosa a análise de DNA antigo pode fornecer para responder às perguntas que há muito tempo incomodaram os acadêmicos sobre as origens dos Irlandeses", disse Eileen Murphy, que ensina osteoarqueologia no Queen's em Belfast.

E Lara Cassidy, pesquisadora em genética do Trinity College Dublin e outra coautora, disse: “A forte afinidade genética entre os genomas da Idade do Bronze e os Irlandês, Escocês e Galês modernos sugere o estabelecimento dos atributos centrais do genoma celta insular há 4000 anos atrás. "

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