Gauleses enterrados na Grã-Bretanha?

Traduzido por N.D., 30 de junho de 2018, referindo-se ao artigo de BERNADETTE ARNAUD do 24/03/16 para https://www.sciencesetavenir.fr

Ponta de lança da segunda Idade do ferro (425-25 aC) encontrada no túmulo de um guerreiro do cemitério de Pocklington, Yorkshire, Inglaterra

Ponta de lança da segunda Idade do ferro (425-25 aC) encontrada no túmulo de um guerreiro do cemitério de Pocklington, Yorkshire, Inglaterra. CRÉDITO: MAP Archaeology.

Pulseira de bronze decorada com coral vinda da necrópole de Pocklington

Pulseira de bronze decorada com coral vinda da necrópole de Pocklington. © MAP Archaeology.

Click!150 esqueletos da Idade do Ferro foram exumados perto da aldeia de Pocklington, a leste do condado de York, no norte da Inglaterra.

Enterrados desde 2500 anos com, ao seu lado, pontas de lança e espadas, 150 esqueletos particularmente bem preservados foram descobertos em uma importante necrópole de Pocklington, datada da Idade do Ferro (425 a 25 aC), ou seja, do período La Tene. Seria a descoberta mais importante já feita na Inglaterra para este período. Uma das 75 sepulturas continha o único escudo desse período encontrado na Grã-Bretanha. A julgar pelos rituais funerários observados pelos arqueólogos, esses vestígios podem ter pertencido a populações conhecidas como "cultura de Arras", termo criado em 1940 pelo famoso arqueólogo australiano Gordon Childe (1892-1957) para batizar esses grupos com costumes funerárias próximas as dos povos celtas do norte da Gália. As olarias e outras contas de vidro e âmbar encontradas também atestariam essa origem.

A descoberta, realizada por ocasião de ordenamentos imobiliários, motivou a intervenção de arqueólogos do Map Archaeological Practice, cuja sede fica em Malton (Yorkshire). Eles esperam completar a história pouco conhecida do antigo povoamento da Grã-Bretanha, levando em conta, em particular, por meio da análise genética, se esses restos pertenciam a populações recém-imigradas para o continente ou já estabelecidas no local. "Esses restos materiais são idênticos aos encontrados em Champagne e na bacia de Paris na mesma época, como nos túmulos contendo carroças e espadas descobertos em 2003 em Roissy", disse Laurent Olivier, curador do departamento das Idades do Ferro no Museu das Antiguidades Nacionais de Saint-Germain-en-Laye, perto de Paris.

As ligações entre as populações gaulesas do norte da França e as da Inglaterra são atestadas muito cedo. "Nos textos de César, as relações entre certos povos do continente e as Ilhas Britânicas estavam claramente estabelecidas, e algumas tradições mencionam que entre os séculos V e III aC, grupos vindos da Gália Bélgica, ou seja, a região localizada ao norte do Marne, do atual Champagne ao Reno, povoou a Inglaterra ", diz o arqueólogo, lembrando que este período da Idade do Ferro foi muito marcado por grandes movimentos populacionais. Na Antiguidade, Ptolomeu, em seu livro Geografia apresentando todo o conhecimento geográfico do mundo greco-romano, chegou a dar o nome de Parisii aos habitantes que então povoaram a Gália Bélgica e as Ardenas. A exumação desse cemitério deve levar ao maior estudo sobre grupos da Idade do Ferro já realizado na Grã-Bretanha.

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