Neste mapa antigo, todos os caminhos levavam realmente à Roma

Traduzido por ND, 11 de abril de 2018, referindo-se ao artigo de Amanda Castelló (10/04/18) para http://www.nationalgeographic.fr/

Na tabela de Peutinger, algumas distâncias são reduzidas e outras são estendidas. Nesta imagem, a metade sul da península italiana atravessa esta seção e o Mediterrâneo não é mais largo que um rio

Na tabela de Peutinger, algumas distâncias são reduzidas e outras são estendidas. Nesta imagem, a metade sul da península italiana atravessa esta seção e o Mediterrâneo não é mais largo que um rio / fotografia de ÖSTERREICHISCHE NATIONALBIBLIOTHEK, VIENNA

Em 250 dC, um marco quilométrico foi erguido ao longo das estradas romanas na Alemanha sob o reinado do imperador Décio

Em 250 dC, um marco quilométrico foi erguido ao longo das estradas romanas na Alemanha sob o reinado do imperador Décio / fotografia de AKG / ALBUM

Click!A Tábua Peutinger dá a ver a imensidão do Império Romano e o poder de Roma que aparece como o centro do mundo.

Se a Tabula Peutingeriana não tem nada a ver com os contornos nítidos de um mapa contemporâneo da região, dá um vislumbre da visão que os Romanos tinham do império em cujo centro estavam. Sua área de influência se estendia da Grã-Bretanha para a Índia, unida pela grande inovação do Império Romano, as estradas.

À primeira vista, um observador contemporâneo pode ter dificuldade em entender esse mapa. Com um comprimento de 6,70 metros, é muito longo, mas mede apenas 35,5 centímetros de altura. Quando olhamos mais de perto, aparecem nomes de lugares europeus que nos aparecem familiares, incluindo Roma no epicentro. Estamos gradualmente percebendo que a Europa e a Ásia foram comprimidas e reduzidas a um corredor estreito. As vias navegáveis tortuosas semelhantes à canais são, na verdade, áreas diferentes do Mediterrâneo. Quanto ao entrelaçamento de linhas vermelhas paralelas, é uma rede colossal de estradas.

A tabela Peutinger é uma cópia de um mapa romano que teria sido realizado no século IV, especialmente porque inclui a cidade de Constantinopla, fundada no ano de 330. Segundo os pesquisadores, esta versão seria o trabalho de um monge, que teria concebido o mapa em meados do século XIII na cidade de Colmar, localizada hoje no nordeste da França. Descoberta no século XV, esta cópia é então legada a Conrad Peutinger, estudioso alemão e bibliófilo, cujo ela herdou do nome.

Embora os estudiosos não possam ter 100% de certeza da fidelidade desta cópia do século XIII ao original, esse artefato único fala muito sobre a cosmovisão romana e é um elemento essencial para o estudo da cartografia antiga. Este mapa tem 12 secções no total, 11 das quais estão em exibição na Biblioteca Nacional Austríaca, em Viena. A seção 12, que corresponde à Hispânia (atual Espanha) e às Ilhas Britânicas, é a única peça que falta desta obra-prima.

Cada mapa tem um ponto de vista diferente. Eles destacam algumas informações, em detrimento de outras que às vezes podem ser omitidas. Os mapas gregos tendiam a enfatizar elementos inerentes ao conhecimento científico, por exemplo, enquanto os mapas romanos se concentravam no aspecto pragmático. Este último tornou possível seguir a rede de estradas que ligam diferentes regiões do Império.

Mapas romanos desse tipo eram chamados de itineraria. Havia dois tipos: a itineraria adnotata tomava a forma de esquemas em que as estradas, as cidades de etapas e as distâncias entre elas eram listadas. A mais famosa é o Itinerário Antonino, que remonta ao século III e inclui um "roteiro" da Grã-Bretanha romana. A segunda categoria de mapas, chamada itineraria picta, da qual a Tabula Peutingeriana faz parte, era mais visual.

A Tabula Peutingeriana não rastreia apenas os contornos do Império Romano. Começa no Oeste, com o que é agora a Espanha, e termina no subcontinente indiano e na ilha de Taprobana (Sri Lanka). Representa o ecumene inteiro (termo grego para todas as terras conhecidas usadas por seres humanos) e tem muitos detalhes ao longo de cada rota.

Rios e mares, fenômenos geográficos e, claro, cidades são desenhados com precisão em cores brilhantes. O mapa também lista centros e hospitais, locais onde os viajantes podem descansar e mudar sua montaria ao longo da rota. Essa informação foi fundamental para quem embarcou em uma longa jornada. Os portos comerciais no Mediterrâneo também são representados (incluindo Ostia, o principal porto marítimo de Roma), assim como os banhos termais.

Essa riqueza de informações sugere que o mapa não foi desenhado apenas para fins militares, embora possa ter sido útil nesse sentido. Uma série de notas indica a importância de certos lugares, à maneira de um guia. Para a região do Sinai, lemos: "Deserto pelo qual os filhos de Israel, guiados por Moisés, vagaram por 40 anos". Os pesquisadores não sabem, no entanto, se esta nota estava no original ou se essas impressões foram adicionadas pelo cartógrafo da Idade Média.

Uma nota do Extremo Oriente, no atual Tadjiquistão, coloca o lugar tradicional onde um oráculo teria perguntado a Alexandre, o Grande, até que ponto ele pretendia estender seu Império: « Accepit usque quo Alexander? » (Até que distância, Alexandre?). Segundo os pesquisadores, esse comentário seria um acréscimo da era medieval, uma nota irônica denunciando a futilidade do imperialismo em uma obra que destaca a extensão do Império.

No centro deste império, é claro, Roma. A capital italiana é representada por uma pessoa sentada em um trono e segurando na mão um globo, uma lança e um escudo. Roma é a caput mundi (capital do mundo), onde todos os caminhos levam. Duas outras cidades a leste, Constantinopla e Antioquia, também são destacadas, embora seu tamanho seja menor em comparação com o de Roma. É interessante notar que as cidades de Pompéia, Herculano e Oplontis, no entanto destruídas pela erupção do Vesúvio no primeiro século dC, são mostradas no mapa. Sua integração reforça a tese de que a Tabula Peutingeriana, embora remontando ao século IV, foi baseada em mapas anteriores.

As estradas são a principal característica deste mapa: 112 654 quilômetros de estradas romanas, todas desenhadas em vermelho, representando muito mais do que o Itinerário Antonino. No entanto, este mapa não permite o cálculo de distâncias reais ou escala geográfica. A Tabula Peutingeriana também tem uma relação aproximada com os quatro pontos cardeais de nossa bússola: o Nilo, por exemplo, vai de oeste a leste, ao invés de sul a norte.

Todas essas características podem ser explicadas pelo que é chamado de "conceito hodológico" (do grego hodós que significa "estrada"). Aos olhos dos Romanos, as estradas definiam o espaço dentro do qual seu império se espalhara. Conceitos modernos de latitude e longitude são irrelevantes aqui, sendo os espaços representados horizontal e linearmente, quase como uma estrada.

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