O DNA fenício antigo da Sardenha e do Líbano reflete o caráter multicultural da sociedade fenícia

Por ND, 15 de janeiro de 2018, referindo-se ao artigo do 10 de janeiro de 2018 para http://popular-archaeology.com/

Uma amostragem do túmulo 351 de Monte Sirai

Uma amostragem do túmulo 351 de Monte Sirai / Foto: Michele Guirguis

A análise do antigo DNA de ossos fósseis de Fenícios encontrados na Ilha da Sardenha, Itália e no Líbano poderia fornecer informações sobre a extensão da sua integração com as comunidades existentes e sobre os movimentos humanos na Antiguidade, de acordo com um estudo publicado em 10 de janeiro de 2018 na revista de acesso aberto PLOS ONE, por E. Matisoo-Smith da Universidade de Otago, Nova Zelândia e Pierre Zalloua da Universidade Líbano-Americana de Beirute, bem como os seus colegas. Os pesquisadores examinaram os genomas mitocondriais de origem materna, na procura de marcadores de origem fenícia.

Os Fenícios eram uma antiga civilização que surgiu em 1800 aC no norte do Levante, espalhando a partir do século IX aC a sua cultura pelo Mediterrâneo sobre partes da Ásia, da Europa de África através de suas redes comerciais e suas colônias. Apesar de sua grande influência no Mediterrâneo, a maioria do que sabemos sobre os Fenícios vem de documentos gregos e egípcios.

Os autores deste estudo analisaram o antigo DNA dos Fenícios para descobrir como eles se tornaram parte das comunidades da Sardenha que colonizaram. Os pesquisadores descobriram 14 novas sequências de mitógenos antigos de amostras pré-fenícias (~ 1800 aC) e fenícias (~ 700-400 aC) do Líbano e da Sardenha e compararam-nas aos 87 mitógenos completos de atuais libaneses e aos 21 antigos mitógenos pré-fenícios da Sardenha recentemente publicados.

Os pesquisadores encontraram evidências da continuidade de algumas linhagens nativas da Sardia após a colonização fenícia, sugerindo que havia integração entre Sardis e Fenícios do Monte Sirai. Eles também encontraram evidências de novas linhagens mitocondriais únicas na Sardenha e no Líbano, o que poderia indicar o deslocamento de mulheres de locais do Proximo Oriente ou do Norte da África para a Sardenha e o deslocamento de mulheres européias para o Líbano.

Os autores, portanto, sugerem que houve um certo grau de mobilidade feminina e diversidade genética nas comunidades fenícias, indicando que a migração e a assimilação cultural eram ocorrências comuns.

Segundo Pierre Zalloua, "essa evidência de DNA reflete a natureza inclusiva e multicultural da sociedade fenícia: eles nunca foram conquistadores, eram exploradores e comerciantes".

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