O maior estudo de DNA esclarece a origem das línguas indo-europeias

Tradução de Nicolas Drouvot, 7 de setembro de 2019, referindo-se à noticia de L'Obs avec AFP (5/09/19) no site https://www.nouvelobs.com

Mapa da migração R1a, originaria da região do Cáucaso

Mapa da migração R1a, originaria da região do Cáucaso. Um grupo etno linguístico que migrou para a Europa há 5.000 anos atrás e que depois retornou para o leste ao subcontinente indiano durante os 1.500 anos seguintes.

Escavações arqueológicas no local de Sanauli, Baghpat, Índia, 2018

Escavações arqueológicas no local de Sanauli, em Baghpat, Índia, 2018 (c) Afp

O local de Mohenjo Daro

O local de Mohenjo Daro, 425 km ao norte de Karachi, no Paquistão, Patrimônio Mundial da Humanidade, no vale do Indus. Crédito: AFP/Archives - ASIF HASSAN

Click!Washington (AFP) - Os linguistas tentam há décadas entender por que os idiomas falados de Paris a Nova Délhi pertencem ao mesmo grupo de idiomas, chamado indo-europeu.

O maior estudo de DNA humano já realizado, publicado na revista Science, fornece uma resposta: as migrações de pastores nômades das estepes da Eurásia, há 5.000 anos, para o oeste (Europa) e para o leste (Ásia).

O papel do deslocamento humano desde 10.000 anos é fundamental para entender as mudanças linguísticas, bem como a sedentarização gradual dos seres humanos com o desenvolvimento da agricultura, explica a AFP Vagheesh Narasimhan, coautor do estudo.

"Houve muito trabalho em DNA, bem como trabalhos arqueológicos, sobre esses processos na Europa", diz o pesquisador de pós-doutorado da escola de medicina de Harvard. Mas essas transformações foram muito menos estudadas na Ásia.

Uma equipe internacional de geneticistas, arqueólogos e antropólogos analisou os genomas de 524 antigos humanos da Ásia Central e do subcontinente indiano, aumentando em um quarto o número total de genomas humanos antigos sequenciados.

Os idiomas indo-europeus incluem hindi e urdu, farsi, russo, inglês, francês, português e 400 outros: eles têm semelhanças em sintaxe e vocabulário, como em nomear os membros da família. Um estudo de 2015 descobriu que eles chegaram à Europa das estepes da Ásia Central.

Mas para a Ásia, houve debate. Uma escola favoreceu a hipótese duma chegada a partir da Anatólia (Turquia). Mas a comparação dos DNAs dos habitantes do subcontinente indiano e da Turquia mostrou que eles tinham pouco em comum.

"Podemos acabar com aquela visão duma migração em larga escala de agricultores de origens da Anatólia para o subcontinente indiano", diz David Reich, outro coautor de Harvard.

Outra evidência que confirma a hipótese de uma origem comum nas estepes é a descoberta de semelhanças genéticas entre falantes de línguas indo-iranianas e ramos báltico-eslavos.

As populações que falam atualmente essas línguas vêm de um subgrupo de estepes que migrou para a Europa há 5.000 anos e depois retornou para o leste ao subcontinente indiano durante os 1.500 anos seguintes.

Além disso, as pessoas que falam línguas dravidianas (especialmente no sul da Índia e no sudoeste do Paquistão) têm muito pouco DNA das estepes, enquanto aquelas que vivem na parte norte do subcontinente, mais próxima dos estepes, têm mais (aqueles que falam hindi, punjabi e bengali).

Quanto à agricultura, escavações arqueológicas mostraram que ela começou no subcontinente indiano antes da chegada das migrações nas estepes. Ela nasceria independentemente.

Um segundo estudo publicado em outra revista, Cell Press, de alguns dos mesmos autores, descreve o genoma de um indivíduo da civilização do Vale do Indo, uma grande civilização que existiu mais de quatro milênios atrás.

Ela tinha cidades de dezenas de milhares de pessoas, usando um sistema padronizado de pesos e medidas, construindo estradas e rotas comerciais.

A umidade do clima da região tornou muito difícil até agora o sequenciamento de restos humanos, mas, pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram isolar e analisar o DNA dos restos mortais de uma mulher que viveu na Idade de Bronze, de quatro a cinco mil anos atrás, em Rakhigarhi, a maior cidade desta civilização, também chamada de civilização de Harappa.

De acordo com esse trabalho genético, Indianos ou Paquistaneses modernos descendem da civilização de Harappa, que foi então misturada aos seres humanos vindos das estepes.

O interesse desta pesquisa genética é compensar o atraso da ciência moderna relativo às populações não europeias, enquanto a maioria dos estudos de DNA até agora foram focados sobre pessoas de origem europeia.

[Para mais detalhes sobre os acontecimentos do período de 1800 aC, veja aqui: "Linha do Tempo, 1800 aC"]

[Se você gostou deste artigo, poderá gostar também desta noticia sobre a descoberta no noroeste da Índia de carroças de guerra encontrados em enterros, revelando a existência na Índia de uma classe guerreira misteriosa que atingiu um nível técnico comparável às maiores civilizações da época: Arqueólogos indianos descobrem carroças e armas da Idade do Bronze, indicando uma antiga classe de guerreiros]

Ler o texto considerado no seu contexto

Ultimas noticias

Outras noticias sobre a categoria Pre-historia [10000-1000] publicadas no site.

10 de dezembro de 2018

Uma máscara de pedra neolítica de mais de 9.000 anos descoberta ao sul de Hebron

Uma máscara de pedra neolítica de mais de 9.000 anos descoberta ao sul de Hebron

A Autoridade Arqueológica Israelense apresentou quarta-feira, 28 de novembro de 2018 em Jerusalém, uma rara máscara de pedra com cerca de nove mil anos e associada ao desenvolvimento do culto aos ancestrais coincidindo com a sedentarização dos homens. Essa rara descoberta foi recebida com entusiasmo …

15 de dezembro de 2018

A praga da peste presente na Europa mais cedo do que pensávamos

A praga da peste presente na Europa mais cedo do que pensávamos.

A cepa mais antiga de peste encontrada entre as populações agrícolas do Neolítico, há 4900 anos atrás, no sul da Suécia.

A peste tem uma longa história ... ainda mais do que pensávamos! Uma estirpe anteriormente desconhecida de Yersinia pestis, a bactéria que causa esta doença dramática, acabou de ser encontrada no material genético de uma mulher de 20 anos de idade (Gökhem2) que morreu na Suécia no período neolítico, há 4900 anos atrás. Bem como no material genético de um agricultor (Gökhem4) da mesma vala funerária de Frälsegården, em Falbygden, no sul do país. A descoberta ocorreu enquanto os pesquisadores analisavam os bancos de dados de antigo DNA de 1058 genomas humanos para entender melhor a história evolutiva dessa praga, relata um artigo publicado em 6 de dezembro de 2018 na revista Cell. A equipe internacional liderada por Simon Rasmussen (Universidade de …