O mais antigo Homo sapiens encontrado fora da África seria grego e teria 210.000 anos

Tradução de Nicolas Drouvot, 20 de julho de 2019, referindo-se à noticia de Sciences et Avenir avec AFP (11/07/19) no site https://www.sciencesetavenir.fr

À direita, caveira parcial do fóssil grego Apidima 1, e sua reconstituição vista de trás (no meio) e lateral (direita), mostrando uma forma arredondada típica de nossa espécie, Homo sapiens

À direita, caveira parcial do fóssil grego Apidima 1, e sua reconstituição vista de trás e lateral, mostrando uma forma arredondada típica de nossa espécie, "Homo sapiens". KATERINA HARVATI, EBERHARD KARLS, UNIVERSIDADE DE TUBINGEN

Esta imagem transmitida em 10 de julho de 2019 pela Universidade Eberhard Karls de Tübingen (Alemanha) mostra uma reconstrução e um modelo numérico de uma caveira chamada Apidima 2, descoberta em uma gruta grega

Esta imagem transmitida em 10 de julho de 2019 pela Universidade Eberhard Karls de Tübingen (Alemanha) mostra uma reconstrução e um modelo numérico de uma caveira chamada Apidima 2, descoberta em uma gruta grega. Créditos: Eberhard Karls Universidade de Tubingen / AFP - Katerina Harvati

Click!Encontrado na Grécia no final dos anos 70, um crânio de 210 mil anos foi identificado como o homem moderno mais antigo descoberto fora da África. Ele traçaria a chegada do primeiro Homo sapiens na Europa 150.000 anos mais cedo do que pensávamos.

Apidima 1, como os cientistas o chamam, é "mais antigo do que qualquer outro espécime de Homo sapiens encontrado fora da África", diz Katerina Harvati, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, coautora do estudo publicado na revista Nature. Um fragmento de mandíbula de um Homo sapiens encontrado em uma caverna em Israel remonta a 177.000 a 194.000 anos atrás. Os outros homens modernos "mais velhos" encontrados fora da África teriam cerca de 90.000 a 120.000 anos de idade. Na Europa, cerca de 70.000 anos.

É um reconhecimento tardio para Apidima 1, encontrado no final da década de 1970. Descoberto pelo Museu de Antropologia da Universidade de Atenas, em uma cavidade do maciço de Apidima no Peloponeso, foi, no era, catalogado como pre-Neandertal. Mas as técnicas modernas de datação permitiram que Katerina Harvati e sua equipe destacassem "uma mistura de características humanas modernas e arcaicas" que as tornam "um Homo sapiens precoce".

Um pequeno senão: os arqueólogos encontraram apenas a parte de trás de seu crânio, e "alguns podem argumentar que o espécime é incompleto demais para que seu status como Homo sapiens seja inequívoco", diz Eric Delson, do Lehman College, em Nova York, em um comentário publicado com o estudo. Além disso, alguns continuam a ver com ele um pre-Neandertal. "Apidima 1 prova que a dispersão do Homo sapiens fora da África não só ocorreu mais cedo do que pensávamos, há mais de 200.000 anos atrás, mas também que se espalhou para Europa ", diz Katerina Harvati.

O Homo sapiens, também chamado homem moderno, apareceu na África. Os mais antigos representantes conhecidos da nossa espécie têm 300.000 anos e foram descobertos em Marrocos, no local de Jbel Irhoud. Há muito se pensava que eles deixaram o "berço" muito mais tarde, cerca de 70.000 anos atrás, em uma onda importante.

Mas nos últimos anos, as descobertas têm desafiado constantemente essa teoria, tornando cada vez mais antiga a data de suas primeiras migrações e ampliando a área de sua dispersão. Apidima 1 foi encontrado na frente de outro crânio, chamado Apidima 2. De acordo com o estudo (e a presença no osso occipital de uma protuberância óssea horizontal), seria um neandertal de 170.000 anos. "Nossos resultados sugerem que pelo menos dois grupos de pessoas viviam no Pleistoceno Médio no que hoje é o sul da Grécia: uma população precoce de Homo sapiens e, mais tarde, um grupo de Neandertais", diz a especialista, sugerindo que os segundos substituíram os primeiros.

Antes de ser substituídos por outros recém-chegados Homo sapiens, cerca de 40.000 anos atrás, quando os Neandertais finalmente desapareceram. "Talvez uma ou mais vezes as duas espécies tenham se substituído entre si", diz Eric Delson.

Esta nova descoberta reforça a ideia de que múltiplas dispersões de humanos fora da África ocorreram. O movimento migratório e a colonização da Eurásia são certamente muito mais complexos do que se pensava anteriormente. "Ao invés de uma única saída de hominíneos da África para povoar a Europa e a Ásia, deve ter havido várias dispersões, algumas não dando origem a instalações permanentes", disse Eric Delson. Mesmo que todos os grupos que se desenvolveram na África há mais de 60 mil anos tenham desaparecido totalmente, não deixando rastros em nosso genoma atual.

[Para mais detalhes sobre outras descobertas do período, veja por exemplo aqui: "Linha do Tempo, 210.000 BP"]

[Se você gostou deste artigo, poderá gostar também desta noticia sobre um outro fóssil de 180 mil anos encontrado no Monte Carmelo em Israel, que seria um outro representante muito antigo de nossa espécie conhecido fora do berço africano da humanidade: Descoberta em Israel do mais antigo « Homo sapiens » fora da África]

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