O queijo mais antigo do mundo encontrado em uma tumba egípcia perto de Memphis

Tradução de Nicolas Drouvot, 20 de agosto de 2018, referindo-se à noticia de Somaya Aqad no site http://www.lefigaro.fr

Necrópole de Saqqara, na região de Memphis, Egito.

Necrópole de Saqqara, na região de Memphis, Egito.

O queijo foi embrulhado em um pano e colocado em uma jarra

O queijo foi embrulhado em um pano e colocado em uma jarra / Dr Enrico Greco.

Click!O conteúdo de um jarro encontrado em um túmulo de Saqqara foi analisado.

Os resultados indicam que é resíduo de uma especialidade composta por leite de ovelha e cabra. Velho de 3200 anos, o laticínio preservou vestígios de bactérias que podem causar uma doença mortal para os seres humanos.

Cientistas italianos da Universidade de Catania descobriram um dos queijos mais antigos do mundo depois de estudar artefatos encontrados em um túmulo na região de Saqqara, uma vasta necrópole egípcia na região de Memphis.

Em 2010, enquanto procuravam uma tumba antiga, uma equipe de arqueólogos encontrou um lote de jarros, um dos quais continha uma substância esbranquiçada. Na época, os especialistas não conseguiram identificar o recipiente misterioso.

Os cientistas da Universidade de Catania realizaram recentemente uma nova análise de objetos encontrados na tumba. Seu estudo publicado na revista Analytical Chemistry permitiu colocar um nome sobre este alimento. A amostra seria um pedaço de queijo de 3200 anos de idade, uma mistura de leite de cabra e de ovelha. "Os arqueólogos suspeitaram que era comida, dependendo do método de conservação e da posição dos potes dentro da tumba, mas somente descobrimos que era queijo depois dos primeiros testes", explicou Enrico Greco, autor do estudo, ao jornal Haaretz. É provavelmente o resíduo mais antigo do mundo até hoje.

O túmulo em que o queijo foi encontrado pertencia a Ptahmes, um alto funcionário egípcio do século XIII aC e ex-prefeito da antiga cidade de Memphis, de acordo com a revista especializada. Seu local de enterro apareceu pela primeira vez em 1885, mas depois foi perdido até ser redescoberto em 2010 pela Universidade do Cairo. Os antigos egípcios acreditavam em uma vida no além, é então por isso que colocavam nos sepulcros vários objetos considerados úteis para o falecido em sua nova existência.

As análises laboratoriais revelaram a presença de brucella melitensis, patógenos com probabilidade de causar a "febre do Mediterrâneo". Esta bactéria é responsável pela brucelose em animais domésticos e é mortal para humanos.

A vasta necrópole de Saqqara é um dos locais mais antigos escavados por arqueólogos. Mas sua imensidão deixa muitas áreas intactas. Este é o caso do túmulo de Ptahmes, que ainda não revelou todos os seus segredos; o túmulo construído sobre o modelo de um templo tem partes ainda inexploradas.

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