O Vesúvio ferveu o sangue de suas vítimas e explodiu seus crânios

Tradução de Nicolas Drouvot, 14 de outubro de 2018, referindo-se à noticia de Jason Daley (10/10/18) no site https://www.smithsonianmag.com

Reproduções dos esqueletos das vítimas de Herculano em uma das casas de barco na costa

Reproduções dos esqueletos das vítimas de Herculano em uma das casas de barco na costa - Flickr / Big Albert / Public Domain

Efeitos térmicos do Vesúvio nos crânios das vítimas humanas

Efeitos térmicos do Vesúvio nos crânios das vítimas humanas - Crédito: Petrone et al. 2018 / PLOS One / CC BY SA 4.0

Vítimas humanas descobertas na costa em Herculano.

Vítimas humanas descobertas na costa em Herculano - Petrone et al. 2018 / PLOS One / CC BY SA 4.0

Casa de Herculano com mosaico de Netuno e Anfitrite

Casa de Herculano com mosaico de Netuno e Anfitrite - Crédito: Mac9 / Wikimedia Commons / CC BY SA 2.0

1908 Mapa do Vesúvio e da Baía de Nápoles

1908 Mapa do Vesúvio e da Baía de Nápoles - Internet Archive Book Images / Flickr / Public Domain

Click!Um novo estudo dos restos de esqueletos da erupção de 79 aC indica que Herculano foi afetado por um fluxo piroclástico de 400 a 900 graus.

Em 79 d.C., o Vesúvio entrou em erupção, cobrindo as cidades romanas vizinhas de Pompéia e Herculano com cinzas quentes e preservando as vítimas em poses realistas... E por muito terrível que seja a perspectiva de morrer sufocado por cinzas, um novo estudo sugere que a asfixia não foi a causa da morte de muitas vítimas.

Arqueólogos descobriram que algumas pessoas morreram em um fluxo piroclástico, uma nuvem de gás superaquecido e cinzas quentes que literalmente ferveram seu sangue e explodiram seus crânios, relata Neel V. Patel, para o Popular Science.

A evidência vem de casas de barcos em Herculano, uma estância balnear para Romanos ricos cerca de 11 quilômetros de Pompéia. Nos anos 80 e 90, os arqueólogos começaram a descobrir os restos mortais de centenas de pessoas que haviam se amontoado nos abrigos à beira da água na esperança de uma ajuda vinda do mar.

Durante horas, o vulcão, que não entrou mais em erupção desde séculos, expulsou cinzas e pedaços de pedra-pomes no ar, obrigando muitos a fugir ou refugiar-se em estruturas sólidas. Mas parece que uma corrente de gás superaquecido desceu da montanha a centenas de quilómetros por hora e atingiu os ocupantes dos quartos onde eles se refugiaram, localizados na beira da água.

O novo estudo, publicado na revista PLoS One, fornece mais evidências de que as vítimas das casas de barcos foram mortas pelo calor e não pela queda de cinzas sufocantes.

George Dvorsky relata que os pesquisadores examinaram 100 espécimes de ossos e crânios usando tipos especiais de espectrometria que podem detectar concentrações minerais muito baixas. A equipe examinou estranhos resíduos vermelhos e pretos encontrados nos ossos, determinando que eles tinham altas concentrações de ferro. Esses tipos de concentração ocorrem em dois tipos de situações: quando objetos metálicos são submetidos a calor intenso e quando o sangue é fervido.

Os crânios das vítimas também mostraram sinais de que foram submetidos a calor intenso. Em particular, muitas calotas cranianas mostraram sinais de explosão. Acredita-se que o calor de 400 a 900 graus ferveu o líquido na cabeça das vítimas, fazendo com que seus crânios explodissem e seu cérebro se convertesse instantaneamente em cinzas.

Patel relata à Ciência Popular que, embora a morte seja bastante horrível, provavelmente foi rápida. Como os habitantes de Herculano estavam mais perto da montanha do que os de Pompeia, o calor era mais intenso, disse Pier Paolo Petrone, principal autor do estudo do Hospital Universitário Federico II em Nápoles, Itália. Estudos anteriores mostraram que os habitantes de Pompéia provavelmente também foram vítimas de um "choque térmico".

Como essas vítimas estavam mais longe, o calor era de apenas 200 a 250 graus e elas não sofriam os mesmos tipos de ferimentos que as de Herculeneaum. Dvorsky relata que muitos cadáveres em Pompeia estão enrolados no que os arqueólogos chamam de posição "pugilista", provavelmente porque o calor causou a contração de suas fibras musculares. Em Herculeneaum, no entanto, os corpos parecem mais naturalistas, provavelmente porque o calor intenso reduziu seus músculos a cinzas antes que tivessem tempo de se aconchegar.

No entanto, de acordo com Giuseppe Mastrolorenzo, um vulcanólogo do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia em Roma que não estava envolvido no estudo, o artigo não prova definitivamente que as vítimas do embarcadouro morreram das consequências do calor. Ele aponta que algo mais poderia tê-los matado, e então seu sangue e cérebro ferveram algum tempo após a morte. É até possível que o resíduo preto e vermelho tenha sido causado por metal nos corpos das vítimas e mais estudos são necessários.

Seja como for, o trabalho destaca um dos perigos negligenciados dos vulcões. Enquanto muitas pessoas se concentram sobre as nuvens do fluxo de cinzas e os fluxos lentos de lava, o dano real vêm dos fluxos piroclásticos de gás e cinzas provocados por uma erupção. Estima-se que a erupção do Vesúvio (79 d.C.) foi 100.000 vezes mais poderosa do que as bombas atômicas lançadas sobre o Japão no final da Segunda Guerra Mundial.

É bastante assustador, sobretudo considerando que a moderna cidade de Nápoles, uma cidade de 3 milhões de habitantes, fica a cerca de 12 km do Vesúvio, que tem uma tendência a explodir a cada 2.000 anos. Você faz as contas.

[Sobre este assunto, veja também a noticia: O crânio do herói de Pompéia, Plínio, o Velho, teria sido encontrado 2000 anos depois?]

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