Os Gauleses bebiam vinho com Cannabis?

Traduzido por ND, 22 de abril de 2018, referindo-se ao artigo de Guillet Emmanuel (13/04/18) para https://www.sciencesetavenir.fr
bem como ao artigo de Ana Benabs (11/04/18) para http://mashable.france24.com

Sepultamento de um Gaulês com oferendas a seus pés contendo traços de cannabis

Sepultamento de um Gaulês com oferendas a seus pés contendo traços de cannabis / © L. Pastural / França 3 Auvergne

Ao estudar um vaso encontrado em um túmulo gaulês, os arqueólogos perceberam que, além de conter vinho, ele continha também... cannabis

Ao estudar um vaso encontrado em um túmulo gaulês, os arqueólogos perceberam que, além de conter vinho, ele continha também... cannabis / L. Pastural, J. Jazeix, B. Courtine / France 3 Auvergne

Tumba gaulesa com oferenda de vinho de cânhamo sendo escavada

Tumba gaulesa com oferenda de vinho de cânhamo sendo escavada / © Évéha

As escavações arqueológicas revelaram traços de Cannabis em um vaso de vinho descoberto em um túmulo gaulês em Puy-de-Dôme.

Enterrado no final do século II aC, o corpo não foi identificado como masculino ou feminino. Nós só sabemos que ele tinha entre 40 e 60 anos quando morreu.

Este é o resultado de escavações realizadas em 2015 em Cébazat em Puy-de-Dôme. Hervé Delhoofs, o arqueólogo responsável pela pesquisa, tinha nessa ocasião posto as mãos em dois recipientes, um dos quais é suspeito de conter uma poção estranha...

Um vaso contendo vinho infundido com cannabis. "Esta é a primeira vez na Europa que a Cannabis sativa foi identificada em um túmulo", comenta Nicolas Garnier, pesquisador de arqueologia. "Esses fragmentos de plantas poderiam ser adicionados ao vinho, assim como a resina, para aromatizá-lo e dar-lhe um efeito psicotrópico".

De acordo com Marie Bèche-Wittmann, diretora assistente do museu Bargoin: "Pode-se imaginar pelo fato que há escrita sobre o vaso que é um personagem importante". Mas outras questões permanecem sem resposta: "É um personagem que tem um papel na aristocracia ou um papel religioso? Hoje, não podemos decidir".

A oportunidade de retornar ao relacionamento entre os Gauleses e o vinho, com Matthieu Poux, professor de arqueologia na Universidade Lyon II, diretor das escavações vizinhas ao oppidum de Corent e especialista no tema do vinho antigo.

Science et Avenir: O que torna notável a descoberta de vinho misturado com cânhamo dentro de um enterro gaulês?

Matthieu Poux: "Em geral, para os vinhos antigos, as receitas diferentes que chegaram até nós e as análises que têm sido realizadas mostram que quase todas as ervas aromáticas foram testadas. Porque o problema com este vinho é que ele se transforma rapidamente em vinagre.

Assim, para ser capaz de o beber, tinha que colocar um pouco de tudo, gesso, água do mar, erva de camelo, feno-grego.... Algumas plantas têm virtudes aseptisantes que retardam o efeito das bactérias (este é o caso do feno-grego, por exemplo). Este efeito desinfetante pode ser adicionado a um efeito simplesmente aromático. Porque é bom ter um vinho que tem o cheiro de resina, tomilho ou outro...

Nos tempos gauleses, o primeiro uso de cânhamo - a planta que dá cannabis - é o uso têxtil. Mas, dado o número de espécies de plantas e vários sabores que pode ser encontrado no vinho, não é surpreendente que às vezes se encontra cânhamo. A busca pelo efeito psicotrópico não é comprovada pela mera presença dessa planta. Contudo, o cânhamo não é inocente e talvez nesse caso os Gauleses estivessem procurando por seus efeitos. "

Que papel o vinho tem para os Gauleses da época? "O vinho tem vários simbólicos: ressuscitar os mortos, aproximar-se das divindades, é assimilado também ao sangue que flui na guerra, etc. As bebidas alcoólicas estão presentes há muito tempo, desde a Idade do Bronze, nas práticas cerimonial na forma de hidromel (à base de mel), cerveja. Os Gauleses não precisavam de vinho. Porém o vinho traz um valor acrescentado e é enxertado nas práticas antigas e nos simbólicos relacionados ao sangue, ao herói, à morte, etc. Especialmente a metáfora do sangue, a cerveja raramente entra nessa metáfora.

É por isso que encontramos o vinho consumido e encenado em banquetes, santuários e que também pode ser encontrado em sepultamentos. Muitas ânforas estão presentes nas tumbas mais ricas, e entre os menos abastados, o vinho é mais em jarros e cântaros. Há também consumo privado de vinho. A escavação de Corent revela que durante as cerimônias, a bebida é consumida pela elite e não é "cortada" com água. Assim, não encontramos no santuário recipientes para misturar o vinho, como crateras ou situlas... Mas, por outro lado, nas habitações circundantes, no ambiente privado, os aristocratas bebem na maneira romana (portanto, misturam o vinho com água). "

Por fim, podemos indicar que esta descoberta nos lembra uma outra descoberta, em outubro de 2016, de um esqueleto enterrado em uma mortalha de cannabis, em Tourfan, no noroeste da China. A presença desta planta poderia, segundo os pesquisadores, ser para uso médico.

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