Os Maias na origem de um desastre ecológico duradouro?

Tradução de Nicolas Drouvot, 21 de agosto de 2018, referindo-se à noticia de Mathieu Perreault no site http://plus.lapresse.ca

Ruínas Maias de Xunantinich, no atual Belize

Ruínas Maias de Xunantinich, no atual Belize. Créditos: Angelo Cavalli / AGF / Photononstop / AFP.

Click!Os Maias teriam esgotado os solos mexicanos, levando a cabo um extenso desmatamento bem antes da chegada dos Europeus, segundo um estudo de Montreal divulgado em agosto de 2018.

Esse impacto negativo nos solos ainda seria sentido quase 1000 anos após o desaparecimento dessa cultura pré-colombiana. Esta é uma má notícia para a mudança climática.

A civilização maia aparece na base da península de Yucatán, 2000 anos antes de Cristo. Menos de 1000 anos depois, as florestas são dizimadas. "Nos sedimentos do lago, passamos de uma concentração de 90% de pólen florestal para 40%", diz Peter Douglas, biogeoquímico da Universidade McGill e principal autor do estudo publicado na revista Nature Geoscience. "A floresta tropical começava naquela época a apenas 100 km ao sul de Cancún, e se estendia sobre toda a Guatemala, o território dos Maias. Os pesquisadores analisaram os sedimentos de três lagos, um no México e dois na Guatemala.

Além da falta de sombra e de absorção de CO2 da atmosfera por árvores através da fotossíntese, o desmatamento resulta na diminuição da capacidade dos solos para o armazenamento de carbono. "Com o desmatamento, há uma perda de minerais como ferro e alumínio, que se ligam ao carbono e impedem que micróbios o comam", diz Douglas. Além disso, o solo fica mais solto, não tem mais torrões de terra que também protegem o carbono dos micróbios. Esses micróbios, possivelmente, removem o carbono na atmosfera na forma de CO2. Descobrimos que 1000 anos depois do desaparecimento dos Maias, a terra onde viviam ainda não recuperou a capacidade de armazenar uma grande quantidade de carbono, enquanto as florestas agora voltaram. Esta é uma má notícia para o desmatamento que ocorre atualmente na Amazônia e no Sudeste Asiático, o que terá impactos de longo prazo sobre a mudança climática."

A quantidade de carbono nos solos é muito importante no equilíbrio climático, porque o CO2 é um gás de efeito de estufa. "Os solos contêm duas vezes mais carbono que a atmosfera", diz o biogeoquimista de Montreal. O desmatamento é a segunda contribuição humana para o aquecimento global. É muito menos do que queimar combustíveis fósseis, que produzem gases de efeito de estufa, mas é muito importante. "

Peter Douglas começou a trabalhar no assunto durante seu doutorado na Universidade de Yale. "Eu trabalhei no impacto das secas sobre os Maias. Percebemos que as moléculas que são armazenadas por um longo tempo nos solos distorciam nossos resultados. Eu me interessei por essas moléculas e percebi que elas eram importantes para o armazenamento de carbono. "

A próxima etapa da pesquisa de Douglas é a evolução da população maia. "Geralmente se pensava que, no máximo, estávamos falando de uma população de 1 ou 2 milhões, de 10 a 20 cidades de 100.000 habitantes, mas os novos levantamentos de radar permitem ver os vestígios de um número muito maior de cidades e alguns pesquisadores chegam a 20 milhões. Eu quero usar técnicas geoquímicas para medir uma molécula produzida pelos intestinos humanos, que é encontrada nos sedimentos dos lagos. Aqui também vemos uma população maior do que com as técnicas clássicas de arqueologia. O estudo do armazenamento de carbono é, portanto, periférico à principal área de pesquisa de Douglas. "Para esta pesquisa, eu preciso de tecnologias bastante avançadas que eu não tenho acesso aqui", diz ele.

O impacto de longo prazo do desmatamento na capacidade do solo de armazenar carbono pode ser estudado no Camboja com a civilização Khmer de Angkor, que existiu do século IX ao século XVI, e na Amazônia, onde as leituras de radar mostram que redes de grandes cidades ja existiam em tempos pré-colombianos, de acordo com Douglas. "Eu também estou pesquisando a capacidade do permafrost para armazenar carbono no extremo norte do Canadá. "

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