Os vestígios de um antigo palácio japonês encontrados na beira de um rio em Nara

Traduzido por N.D., 21 de junho de 2018, referindo-se ao artigo de YUYA TANAKA (16/06/18) para http://www.asahi.com

O sítio arqueológico de Miyataki, em primeiro plano, ao longo do rio Yoshinogawa em Yoshino, Prefeitura de Nara, onde as ruínas de um grande edifício foram descobertas e o Monte Kisayam

O sítio arqueológico de Miyataki, em primeiro plano, ao longo do rio Yoshinogawa em Yoshino, Prefeitura de Nara, onde as ruínas de um grande edifício foram descobertas e o Monte Kisayam. (Kenta Sujino).

Outros palácios impériais da prefeitura de Nara.

Outros palácios impériais da prefeitura de Nara.

Reconstrução do Palácio Heijo em Nara, com cerca de um terço do seu tamanho original

Reconstrução do Palácio Heijo em Nara, com cerca de um terço do seu tamanho original / Foto: blog.m0shi-m0shi.com

Click!Construir um palácio ao longo de um rio não é o lugar mais seguro, pois pode colocar em risco a vida de seus moradores em caso de inundações e outros desastres naturais.

No entanto, um antigo palácio misterioso foi provavelmente localizado ao lado do belo rio Yoshinogawa durante o período Nara (710-784), talvez para ter uma vista sobre o rio, de acordo com novas descobertas.

As ruínas de um grande edifício datado da primeira metade do século VIII foram recentemente descobertas a apenas 20 metros do rio Yoshinogawa, que serpenteia entre as montanhas ao sul da província de Nara.

A estrutura descoberta no sítio arqueológico de Miyataki apresenta desenhos únicos para um palácio imperial, aumentando a possibilidade de que a descoberta seja o edifício principal do Palácio Secundário de Yoshino no Miya, freqüentado por Shomu (701-756) e outros imperadores.

Os arqueólogos estão atualmente fazendo grandes esforços para entender por que o palácio foi construído tão perto do rio.

Pesquisadores de história antiga e da antologia da poesia japonesa "Manyoshu" (literalmente "Coleção das Dez Mil Folhas") tiveram intensas discussões antes da Segunda Guerra Mundial para identificar a localização de Yoshino no Miya.

Como as ruínas de muitos edifícios foram descobertas no sítio arqueológico de Miyataki, ao longo do rio Yoshinogawa, durante escavações recentes, Miyataki é considerada a área onde Yoshino no Miya provavelmente se localizou.

Mas a questão de onde a parte central de Yoshino no Miya era localizada não foi resolvida até então. A maioria dos especialistas achava que a "residência onde o imperador residia deveria estar do lado da montanha, um lugar mais seguro do qual se pode desfrutar de vistas magníficas".

No entanto, as ruínas de um prédio cujas dimensões, ao nível das colunas, são de 16,3 metros de leste a oeste e de 9 metros de norte a sul, foram descobertas em Miyataki durante uma escavação iniciada no fim de 2017 pelo Conselho de Educação de Yoshino e pelo Instituto Arqueológico de Kashihara, Prefeitura de Nara.

Este edifício tinha beirais em todos os quatro lados. Tal arquitetura só era permitida para o salão principal (Daigokuden), onde o imperador administrava os assuntos políticos, bem como para o edifício principal da residência privada do palácio do Imperador (Dairi).

Michio Maezono, professor de arqueologia no colégio das Artes de Nara, explicou que a estrutura principal de Yoshino no Miya foi estabelecida perto do rio Yoshinogawa devido ao fato de que vários ritos religiosos ali tiveram lugar desde o período Asuka (592-710).

"Os principais edifícios provavelmente foram instalados perto do rio no período em que os serviços religiosos oficiavam para homenagear o deus de Yoshinogawa", disse Maezono.

Makoto Ueno, professor de Estudos Manyoshu da Universidade de Nara, disse que o poeta Manyoshu Yamabe no Akahito, que viveu ao mesmo tempo que o Imperador Shomu, desceveu Yoshino no Miya como "uma terra de um rio limpo ".

"Eu tinha pensado que o poema representou o palácio de forma exagerada, mas a última descoberta de um grande edifício perto do rio indica que Yoshino no Miya era provavelmente um palácio secundário para apreciar a beleza do rio Yoshinogawa, como descrito na poesia ", diz Ueno.

De acordo com "Nihon Shoki" (Crônicas do Japão), Yoshino no Miya foi encomendado em 656 durante o período de Asuka pelo Imperador Saimei (594-661). A Imperatriz Jito, que governou entre 690 e 697 depois de suceder seu marido, o imperador Tenmu (desconhecido - 686), foi lá em 31 ocasiões.

"Shoku Nihongi" (Crônicas Continuada do Japão), o livro oficial japonês da história do período Nara e outras fontes indicam que o escritório administrativo de Yoshino Gen foi criado para gerenciar Yoshino no Miya durante este período e o dar um status especial.

Enquanto Shomu visitou Yoshino no Miya logo após sua ascensão ao trono em 724, ele também foi lá em 736.

Uma tabuinha de madeira "mokkan" associada à segunda visita de Shomu a Yoshino no Miya foi encontrada em um buraco perto do Palácio Imperial Heijo, na cidade de Nara. O poderoso aristocrata Fujiwara no Maro (695-737) o teria ajudado enviando comida e pratos para Yoshino no Miya e organizando os funcionários para acompanhar o imperador.

Akihiro Watanabe, vice-diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisa sobre Propriedades Culturais de Nara, que estuda a história antiga do Japão e conhece o mokkan, disse que a tábua de madeira descoberta revela a importância da visita de Yoshino no Miya.

"O mokkan mostrou claramente que preparativos cuidadosos foram feitos para a viagem de Yoshino", disse ele. "O edifício recém-descoberto é provavelmente uma parte de Yoshino no Miya como representado no mokkan, dado o seu período de construção e outras características."

Watanabe também mencionou a possível razão pela qual o edifício foi instalado lá.

"O palácio provavelmente foi construído na beira do rio na meta de assistir, de perto, a vistas magníficas", disse Watanabe.

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