Pesquisadores reconstruíram o rosto de uma moça grega que morreu há 9.000 anos atrás

Por ND, 25 de janeiro de 2018, referindo-se ao artigo de Fabien Jannic-Cherbonnel (21/01/18) para https://www.slate.fr/
bem como ao artigo de Sarah Gibbens (19/01/18) para https://news.nationalgeographic.com/

A moça de Egtved foi enterrada na Dinamarca há cerca de 3400 anos. Suas roupas de lã são do Sul da Alemanha

As características faciais "suavizaram" ao longo dos milênios, e os humanos parecem menos masculinos hoje, diz o reconstruidor Oscar Nilsson.

A moça de Egtved reconstituída

A equipe também reconstruiu o rosto de Myrtis (na direita), de 11 anos, que morreu de febre tifoidea em Atenas no século V aC.

Seu nome é Avgi e ela morava na Grécia há quase 9 mil anos atrás. E sem as tecnologias modernas, provavelmente a gente nunca teria podido saber como era o rosto desta adolescente mesolítica. O avanço das técnicas de reconstrução possibilita uma ideia melhor da aparência dos humanos que povoavam a Terra há milênios atrás e revela como nossos traços faciais mudaram durante esses milênios.

O rosto reconstruído desta jovem mulher, com base em um crânio descoberto em 1993 na caverna de Theopetra, um sítio arqueológico na Grécia central, ocupado por cerca de 130 mil anos, foi revelado esta semana por pesquisadores da Universidade de Atenas ao Museu da Acrópole. Ela estava viva em torno de 7.000 aC, quando a região passou de uma sociedade de caça para uma sociedade agrícola. Avgi significa amanhecer, um nome escolhido para simbolizar o nascimento da civilização moderna.

Esta não é a primeira vez que o pessoal de Manolis Papagrigorakis recriou o rosto de uma pessoa desaparecida há milênios atrás. Em 2010, pesquisadores apresentaram o rosto de Myrtis, uma garota ateniense de 11 anos que morava em torno de 430 aC.
[Veja sobre isso, o artigo: Myrtis: menina da Grécia clássica, símbolo atual]

A reconstrução do rosto da Avgi tem sido um processo longo e complexo, liderado por uma equipe composta por um endocrinologista, um ortopedista, um neurologista, um patologista, um radiologista e um arqueólogo sueco. A equipe usou do crânio da menina, encontrado em 1993, para imprimir uma cópia perfeita com uma impressora 3D. Então vem a reconstrução dos músculos, um por um. A cor da pele e do cabelo, impossível de adivinhar, vem de características comuns conhecidas pela população da época.

O resultado final é impressionante e Oscar Nilsson, arqueólogo sueco que participou da reconstrução, explica que a cabeça de Avgi é interessante de várias maneiras:

"Avgi tem um crânio e características muito especiais, não especialmente femininas, enquanto Myrtis, que ainda é uma criança, não difere das características que encontramos em torno de nós hoje", diz Nilsson.

"Participei de muitas reconstruções de rostos da Idade da Pedra e acho que algumas das características físicas desapareceram ao longo do tempo. Em geral, parece-nos hoje menos masculinos, homens como mulheres.

À medida que a tecnologia de modelagem 3D avança, os arqueólogos a usam mais frequentemente para reconstruir rostos antigos. Em dezembro de 2016, os pesquisadores reconstruíram o rosto de uma antiga rainha peruana e, em janeiro passado (2017), o mundo finalmente viu o homem por trás do famoso crânio de Jericó de 9,500 anos de idade.
[Sobre isso, veja acima, o artigo: O rosto de um homem do neolítico reconstituido]
[Também, veja acima, o artigo: Os rostos de algumas crianças da Europa de 30 mil anos atrás reconstituídos em realidade virtual 3-D]

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