Secas extremas estão na origem do colapso maia

Traduzido por Nicolas Drouvot, 11 de agosto de 2018, referindo-se à noticia de Bernadette Arnaud do 7/08/18 para https://www.sciencesetavenir.fr bem como à noticia de LePoint.fr do 3/08/18 para http://www.lepoint.fr

Crepúsculo de uma civilização. A pirâmide de Kukulkan (El Castillo) no sítio maia de Chichen Itza, na península do Iucatão, México

Crepúsculo de uma civilização. A pirâmide de Kukulkan (El Castillo) no sítio maia de Chichen Itza, na península do Iucatão, México. © Frédéric Soreau - Photononshop AFP

A Mesoamérica de 650 a 850.

A Mesoamérica de 650 a 850.

Click!Novos dados confirmam o papel do clima no desaparecimento da civilização maia clássica.

O mundo maia fascina e as causas de seu colapso também. Desde quase três décadas, os especialistas vêm tentando entender melhor por que essa sociedade complexa, que se estendia por um território que cobre o atual México, Guatemala, Belize e Honduras com as suas imponentes cidades e colossais pirâmides de degraus, como Tikal (Guatemala) ou Calakmul (México), de repente começou a entrar em colapso.

Entre as hipóteses tangíveis mais citadas estão as mudanças importantes nas condições ambientais. Em particular, uma fragilização devido a secas repetidas ao longo de vários anos. E essas mudanças climáticas correlacionadas às transformações sociopolíticas acabam de ser especificadas por um grupo de pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e da Universidade da Flórida (Estados Unidos).

Em um estudo publicado na revista Science (link), esses cientistas explicam como, usando métodos geoquímicos, eles foram capazes de detalhar essas fases de desregulação.

Para fazer isso, eles analisaram e mediram os isótopos de água aprisionada em cristais de gesso (sulfato de cálcio hidratado) extraídos dos sedimentos do lago Chichancanab, na Península de Yucatán, no México.

A partir desses resultados, eles conseguiram determinar os níveis de precipitação, umidade e seca que ocorreram entre 700 a 1000 d.C. Aqueles que levaram ao abandono gradual das grandes cidades maias.

Eles descobriram que as chuvas anuais caíram de 41% para 54%, em média, durante esses ciclos, e até 70% durante as secas. O colapso da civilização maia clássica das Terras Baixas foi de fato vítima desses levantes climáticos, confirmando uma série de suposições feitas desde os anos 90, inclusive por David A. Hoddell, um dos signatários do artigo da revista Science.

Mas como isso realmente aconteceu? Ao longo dos séculos, um sistema político foi criado entre os maias, baseado em rivalidades e conflitos incessantes entre as principais cidades.

As verdadeiras competições de prestígio - para possuir as pirâmides mais altas, ou as mais ricamente ornamentadas - levaram a um aumento das guerras, tanto quanto a uma sobre-exploração do ambiente natural.

Nesse contexto de enfraquecimento, a sucessão de secas extremas afetou rapidamente o acesso à água. Tanto para o consumo doméstico como para a agricultura. O cultivo de milho, a base da dieta maia dependia principalmente da abundância da estação chuvosa.

No entanto, o impacto desses anos sem chuva não foi o mesmo em todo o país. As populações do Norte, menos dependentes das chuvas sazonais devido ao seu acesso às águas subterrâneas, foram poupadas num primeiro tempo.

A desventura dos Maias coincide com o Optimum Climático Medieval, um período de clima excepcionalmente quente localizado nas regiões do Atlântico Norte e que durou do século X ao século XIV. Estudos anteriores mostram que o desmatamento pelos Maias não ajudou a situação deles, diz o Washington Post. De fato, o desmatamento tende a diminuir a umidade e desestabilizar o solo.

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