Um esconderijo de estelas gravadas com a misteriosa escrita do reino africano de Meroe descoberto

Traduzido por ND, 21 de abril de 2018, referindo-se ao artigo de Bernadette Arnaud (19/04/18) para https://www.sciencesetavenir.fr

Estela de Ataqeloula e seus raros escritos meroíticos, descoberta na necrópole de Sedeinga, Sudão

Estela de Ataqeloula e seus raros escritos meroíticos, descoberta na necrópole de Sedeinga, Sudão / Créditos: Vincent Francigny / Missão Arqueológica de Sedeinga

Lintel do enterro decorado com inscrições meroíticas

Lintel do enterro decorado com inscrições meroíticas. © Missão Arqueológica de Sedeinga

Vista aérea da

Vista aérea da "cidade dos mortos" em Sedeinga, Sudão. © Missão Arqueológica de Sedeinga

No Sudão, no sítio de Sedeinga, os arqueólogos franceses acabaram de exumar o maior grupo de inscrições meroíticas conhecidas até hoje. O mais antigo escrito antigo puramente africano.

Nunca antes tantas estelas inscritas com textos meroíticos, as primeiras evidências de escritos antigos puramente africanos, foram encontradas em um só lugar.

E é na "cidade dos mortos" de Sedeinga, uma vasta necrópole localizada entre o deserto rochoso e as margens selvagens do Nilo, que foram encontrados no Sudão, enterrados entre uma centena de antigas pirâmides funerárias, estes escritos de 2.300 anos, deixados pelos habitantes da região de Kush, um império africano contemporâneo do Egito ptolomaico e Roma.

Misturadas com lintéis de portas de algumas capelas decoradas, os tabletes cobertos com inscrições foram desenterrados por pesquisadores da SFDAS, a Seção Francesa da Direção de Antiguidades do Sudão.

"As peças estavam literalmente em cima umas das outras e mesmo assim em um estado notável de preservação", disse Vincent Francigny, do Laboratório de Antropologia Africana do Museu de História Natural de Nova York (Estados Unidos), codiretor das escavações conduzidas por Claude Rilly, especialista mundial em linguagem e escrita meroítica.

"Estes novos documentos funerários, fontes de extrema riqueza, nos permitirão avançar no conhecimento da língua de Meroe", acrescentou o especialista.

"O sistema de escrita meroítica, o mais antigo da África Subsaariana, nos resiste ainda parcialmente em seu entendimento, mesmo que o sabemos ler desde quase um século", continua o especialista.

Ainda em grande parte obscuro, este escrito foi criado por governantes kushitas para transcrever sua língua, por volta de 250 aC. Até então, apenas o dos faraós do Egito era usado.

Por razões desconhecidas, no século III aC, os Meroitos (chamados a partir do nome de Meroe, o último reino de Kush) selecionaram de seus poderosos vizinhos sinais tanto hieroglíficos como cursivos (demóticos) para desenvolver sua própria escrita adicionando diferentes valores fonéticos.

Até essas recentes descobertas, apenas eram conhecidos raros epitáfios em estelas e templos. Entre os achados, foram também descobertas representações da deusa Maât, diferentes dos cânones usuais herdados da iconografia religiosa egípcia.

Seria a primeira figura conhecida dessa divindade com traços africanos. Nos pilares das capelas funerárias onde apareciam de costume por um lado Anúbis, o deus mestre das necrópoles, e por outro Isis ou sua irmã Nephtys, as divindades protetoras dos mortos, parece que a deusa Maât, uma entidade simbolizando a ordem, a verdade e a justiça, foi imposta no local de Sedeinga.

O impressionante cemitério e suas centenas de locais de enterros tem sido usado por vários séculos, estendendo-se desde o final do período conhecido como Reino de Napata (600-300 aC), até o fim do período meroítico (450 dC).

Com os locais de Sedeinga e a ilha vizinha de Saï, a arqueologia francesa está envolvida no estudo de dois grandes depósitos da história antiga dos excepcionais reinos núbios do Sudão.

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