Um resto fossilizado de uma jovem prova o acasalamento entre duas espécies humanas há 90.000 anos

Tradução de Nicolas Drouvot, 25 de agosto de 2018, referindo-se à noticia do HuffPost avec AFP (23/08/18) no site https://www.huffingtonpost.fr
bem como à noticia de Houssen Moshinaly (21/08/18) no site https://actualite.housseniawriting.com

Reconstituição de um jovem neandertal..

Reconstituição de um jovem neandertal.

Este fragmento de osso ('Denisova 11') foi encontrado na caverna Denisova na Rússia em 2012 por arqueólogos russos e representa a filha de um pai denisoviano e uma mãe neandertaliana

Este fragmento de osso ('Denisova 11') foi encontrado na caverna Denisova na Rússia em 2012 por arqueólogos russos e representa a filha de um pai denisoviano e uma mãe neandertaliana - Crédito: T. Higham, Universidade de Oxford

Proveniência do genoma da mulher descoberta.

Proveniência do genoma da mulher descoberta

Click!A mãe da adolescente era neandertal e o pai era denisoviano.

"Esta é a primeira vez que encontramos um descendente direto desses dois grupos", diz Viviane Slon, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, Alemanha, coautora do estudo publicado em 22 de agosto de 2018 na revista Nature.

Os Denisovianos e os Neandertais se separaram há 400.000 / 500.000 anos atrás, tornando-se duas espécies distintas do gênero Homo (o Homo sapiens formando outro). O homem de Neandertal desapareceu da superfície da Terra cerca de 40.000 anos atrás, por alguma razão desconhecida. Os Denisovianos também desapareceram, mas não se sabe exatamente quando.

Por outro lado, análises de DNA mostraram que o Homem de Denisova deixou parte de seu genoma para alguns Homo sapiens: menos de 1% em populações asiáticas e ameríndias, e até 5% para aborígenes australianos e os Papuas da Nova Guiné.

Da mesma forma, todos os humanos modernos, com exceção dos africanos, têm em seu genoma cerca de 2% do DNA legado pelos Neandertais, prova dos cruzamentos que podem ter ocorrido entre essas espécies no passado distante.

Essa história familiar é revelada por um osso de 1,5 cm de comprimento, tão pequeno que os pesquisadores não sabiam, à primeira vista, se pertencia a um hominídeo ou a um animal. Descoberto em 2012 em uma caverna das Montanhas Altai na Sibéria, perto da atual fronteira entre a Rússia e a Mongólia, "Denny", como foi chamado pelos pesquisadores, pertencia a uma mulher de pelo menos 13 anos de idade, vivendo cerca de 90.000 anos atrás. O osso viria do fêmur, da tíbia ou do úmero.

A caverna onde ela morreu, conhecida como Denisova, já era famosa por ter entregado os primeiros restos fósseis do Homem de Denisova, fragmentos de uma falange auricular.

Ao analisar "Denny", os geneticistas conseguiram distinguir os cromossomos que a jovem herdou de seu pai e mãe. Sem nenhuma dúvida para eles, foram legados a ela por um Neandertaliano e um Denisoviano. "No começo, pensei que houvesse um erro no laboratório", diz Svante Pääbo, diretor do departamento de genética evolutiva do MPI-EVA e principal autor do estudo.

Deixando a África, os Neandertais dispersaram-se na Europa e na Ásia ocidental, enquanto os Denisovianos se mudaram para o leste da Ásia.

Os pesquisadores determinaram também que a mãe era geneticamente mais próxima dos Neandertais que viviam na Europa Ocidental do que um indivíduo neandertal que vivia na caverna de Denisova. Isso mostra que os Neandertais migraram entre o oeste e o leste da Eurásia dezenas de milhares de anos antes de seu desaparecimento.

As análises do genoma também revelaram que o pai Denisoviano tinha pelo menos um ancestral neandertal em sua árvore genealógica. Assim, a partir deste genoma único, somos capazes de detectar múltiplas interações entre Neandertais e Denisovianos, de acordo com Benjamin Vernot MPI-EVA, terceiro coautor do estudo.

É impressionante que encontramos esta jovem Neandertal / Denisoviana entre os poucos indivíduos que tiveram seu genoma sequenciado, de acordo com Svante Pääbo.

"Os Neandertais e os Denisovianos podem não ter tido muitas oportunidades de se encontrarem, mas quando o fizeram, não pareciam ter preconceito um contra o outro", observa Svante Pääbo, que é na origem da identificação do homem de Denisova.

"Eles tiveram que acasalar com frequência, muito mais do que pensávamos antes, senão não teríamos tido tanta sorte", acrescenta ele.

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